Secretária do Cidadania sofre ataques verbais e ameaças em reunião partidária
A secretária-geral nacional do partido Cidadania, Juliet Matos, registrou um boletim de ocorrência no último final de semana após ser vítima de uma série de xingamentos e agressões verbais por parte de membros do diretório da sigla. Os ataques ocorreram durante uma reunião da qual ela não participou, mas cuja gravação teve acesso posteriormente.
Xingamentos e insinuações de violência física
De acordo com a queixa apresentada por Juliet Matos, seis correligionários – três mulheres e três homens – se referiram a ela de forma pejorativa, utilizando termos como "mau-caráter", "bruxa", "horrorosa" e "feia". Além dos insultos, houve insinuações preocupantes de que ela deveria receber agressões físicas.
Os filiados chegaram a afirmar que a secretária merecia receber "vassouradas", um "servicinho violento" e que deveriam "pegar ela na esquina". A reunião aconteceu no dia 25 de fevereiro, mas Juliet só teve acesso à gravação no último sábado, 7 de março, momento em que decidiu formalizar a denúncia.
Impacto emocional e contexto dos ataques
Em entrevista à VEJA, Juliet Matos expressou seu choque com a situação: "Fiquei muito impactada. São pessoas com quem eu nunca tive qualquer embate direto. Não estavam falando da minha posição política, nem sobre o meu posicionamento partidário. Era sobre mim".
Os ataques teriam sido motivados pela gestão que Juliet fez de uma reunião online no dia 9 de fevereiro, quando ficou responsável por organizar a lista de inscrições e a ordem de falas. Além dos termos já mencionados, outros xingamentos dirigidos à secretária incluíram "cretina", "falsa", "traíra" e "vendida".
Contexto partidário e resposta da liderança
O Cidadania vive um momento particularmente delicado em sua estrutura interna. Roberto Freire e Comte Bittencourt travam uma batalha judicial pela presidência do partido, enquanto na última semana o deputado federal Alex Manente (SP) foi eleito para comandar o diretório nacional.
Procurado pela reportagem, Alex Manente afirmou que adotará providências, inclusive judiciais, contra os filiados responsáveis pelos xingamentos: "É mais um caso de abuso e de machismo. Vamos tomar providências. Estamos levantando em todos os grupos do partido os ataques e agressões contra mulheres. Vamos encaminhar o caso ao Conselho de Ética e encaminhar as ações cabíveis na Justiça".
Marco legal e consequências
A violência política de gênero passou a constar na legislação brasileira em 2021, sendo incorporada ao Código Eleitoral. A pena máxima para esse tipo de crime é de quatro anos de reclusão, podendo incidir diversas agravantes, especialmente quando há disseminação do ato agressivo pela internet.
O caso de Juliet Matos ilustra os desafios que mulheres enfrentam na política brasileira, mesmo em posições de liderança partidária, e testa os mecanismos de responsabilização previstos na legislação recente.
