Relator da CPI do Crime Organizado afirma que aprovação do relatório só será definida no plenário
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, declarou que somente será possível saber se o relatório entregue na manhã desta terça-feira (14) será aprovado quando ele estiver sendo analisado no plenário do Senado. "A gente literalmente só vai saber no plenário", afirmou Vieira, destacando que pressões políticas ocorrem de forma intensa e velada, embora algumas se manifestem abertamente.
Posicionamento do ministro Flávio Dino gera repercussão
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que não é citado na CPI entre os ministros que Vieira quer indiciar, publicou uma mensagem em rede social em que saiu em defesa dos colegas. Dino afirmou se solidarizar com os colegas aos quais chamou de "alvo de injustiças" e destacou as ações do Supremo e da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o crime organizado.
Em seu texto, o ministro criticou a irresponsabilidade de investigar o crime organizado sem tratar sobre milicianos, traficantes de drogas, vendedores de armas ilegais, garimpos ilegais, facções que controlam territórios, matadores e pistoleiros. Dino também alertou sobre o equívoco de apontar o STF como o "maior problema nacional", classificando isso como um gigantesco erro histórico que exige reflexão quanto às consequências.
Entrega do relatório preliminar e sessão de análise
O relatório preliminar da CPI foi entregue pelo relator na manhã desta terça-feira (14), e a sessão que fará a leitura de um resumo do documento está marcada para as 14h de hoje. Nela, os parlamentares irão decidir se aprovam as propostas de indiciamentos e recomendações feitas por Vieira.
A CPI foi instalada no Senado Federal em novembro de 2025 para investigar omissões no combate ao crime organizado no Brasil. O caso do Banco Master entrou nos assuntos da comissão após suspeitas de irregularidades em operações financeiras para ocultar recursos de origem ilícita.
Pedido de indiciamento do PGR e ministros do STF
Entre os principais pontos do relatório apresentado pelo senador Alessandro Vieira está o pedido de indiciamento dos ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet. De acordo com o relator da CPI, os ministros citados deveriam ter se declarado suspeitos para julgar o caso do Banco Master no Supremo, devido a supostas relações de proximidade com os envolvidos na investigação, principalmente o dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro.
Vieira enquadra os indiciados nos seguintes critérios de descumprimento da lei:
- Ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes: Proferir julgamento quando, por lei, seja suspeito na causa; Proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções.
- Ministro Gilmar Mendes: Proferir julgamento quando, por lei, seja suspeito na causa.
- Procurador-geral da República, Paulo Gonet: Ser patentemente desidioso no cumprimento de suas atribuições, o que significa "proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo".
Análise de declarações de IR do Master segue pendente
A CPI terminará nesta terça-feira sem concluir a análise dos documentos referentes a quatro anos de declarações de Imposto de Renda do Banco Master entregues à Comissão pela Receita Federal. Entre 2022 e 2025, o banco repassou R$ 7,3 bilhões a 2.939 pessoas físicas e empresas, evidenciando a complexidade das investigações sobre possíveis irregularidades financeiras.



