Quinta mulher acusa deputado americano Eric Swalwell de estupro após renúncia política
Em um desdobramento dramático que abala a política dos Estados Unidos, uma quinta mulher apresentou nesta terça-feira (14) acusações formais de má conduta sexual contra o deputado Eric Swalwell, do Partido Democrata. A denúncia ocorre apenas um dia após o parlamentar anunciar sua renúncia da Câmara dos Deputados e suspender sua campanha para governador da Califórnia, em meio a um escândalo crescente.
Acusações detalhadas em coletiva de imprensa
Durante uma coletiva de imprensa realizada nos escritórios de sua advogada em Beverly Hills, na Califórnia, Lonna Drewes descreveu com precisão um suposto encontro traumático com Swalwell em 2018. A mulher acusou o deputado de drogar sua bebida e subsequentemente estuprá-la, em um episódio que ela afirma ter devastado sua saúde mental por anos.
Drewes relatou que o parlamentar já a havia convidado para dois eventos públicos anteriormente, estabelecendo um padrão de interação. Na terceira ocasião em que se encontraram, ela consumiu uma taça de vinho que acredita ter sido adulterada por Swalwell. Quando pararam em seu quarto de hotel, ela já estava completamente incapacitada, momento em que alega ter sido violentada.
"Pensei que tinha morrido", declarou Drewes emocionada, descrevendo como Swalwell a sufocou até perder a consciência durante o ataque. Ela detalhou que o incidente teve consequências profundas: automedicação, perda da vontade de viver e choro constante por anos subsequentes.
Medo do poder político e investigações em andamento
"Minha demora em tomar medidas contra Eric foi motivada pelo medo, não pela dúvida. Medo de seu poder político", explicou Drewes durante a coletiva. Sua advogada, Lisa Bloom, anunciou que registrará formalmente um boletim de ocorrência no escritório do xerife do condado de Los Angeles, apresentando provas como mensagens de texto, registros em diário e informações de testemunhas.
Um representante de Swalwell, que é casado e tem três filhos, não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário sobre as novas acusações. Entretanto, o gabinete do promotor público de Manhattan confirmou no sábado que está investigando alegações anteriores de agressão sexual envolvendo o deputado.
Contexto político e renúncia
Swalwell, que era considerado um dos favoritos ao cargo de governador do estado mais populoso dos Estados Unidos, encerrou abruptamente sua campanha após revelações do The San Francisco Chronicle e da CNN. As reportagens noticiaram que uma ex-funcionária de seu escritório distrital o acusou de dois encontros sexuais não consensuais em 2024, incluindo um estupro em um hotel da cidade de Nova York quando ela estava intoxicada demais para consentir.
A CNN também informou que três outras mulheres já haviam feito alegações de má conduta sexual contra Swalwell, que está na Câmara dos Deputados desde 2013. Em uma declaração publicada na plataforma X na segunda-feira, o deputado pediu desculpas à sua família, equipe e eleitores pelos "erros de julgamento que cometi no passado", prometendo combater "a grave e falsa alegação" contra ele.
Impacto na sucessão californiana
A renúncia de Swalwell da disputa para governador da Califórnia altera significativamente o cenário político estadual. Sua ausência deixa o bilionário Tom Steyer e a ex-deputada Katie Porter como os principais candidatos democratas restantes para substituir Gavin Newsom, que está completando o máximo permitido de dois mandatos.
A Califórnia opera com um sistema primário único onde os dois primeiros candidatos avançam para a eleição geral, independentemente de sua filiação partidária. Não está imediatamente claro quando a renúncia de Swalwell do Congresso entrará em vigor, mas ele afirmou que trabalharia com sua equipe para garantir que seus eleitores fossem atendidos em sua ausência.
Este caso se soma a uma série de escândalos que têm abalado a classe política americana, levantando questões sobre responsabilidade, poder e a proteção de vítimas de violência sexual em ambientes de alta influência.



