Prefeito eleito de Choró está foragido há mais de um ano por esquema de fraudes
Prefeito eleito de Choró foragido há mais de um ano por fraudes

Prefeito eleito de Choró permanece foragido há mais de um ano por esquema criminoso

Carlos Alberto Queiroz, conhecido como Bebeto Queiroz (PSB), prefeito eleito cassado de Choró, no Ceará, está foragido desde dezembro de 2024. Apontado como chefe de um esquema de fraude a licitações e desvio de emendas parlamentares desvendado pela Polícia Federal, o político não chegou a tomar posse após vencer as eleições municipais de 2024.

Trajetória de fugas e prisões

Bebeto Queiroz foi preso inicialmente em novembro de 2024 por suspeita de envolvimento em fraudes envolvendo contratos de abastecimento de veículos da prefeitura. Solto no início de dezembro após expirar o prazo da prisão temporária, ele recebeu poucos dias depois um novo mandado de prisão por outros crimes e desapareceu. Desde então, as autoridades não conhecem seu paradeiro.

Em abril de 2025, a Justiça Eleitoral cassou a chapa liderada por Bebeto que venceu as eleições em Choró. O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) manteve a cassação em agosto do ano passado, levando à realização de uma nova eleição municipal no dia 1º de março.

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Esquema milionário de fraudes

Um relatório da Polícia Federal de janeiro de 2026 revelou um suposto esquema criminoso que envolvia negociação de emendas parlamentares, fraudes a licitações de prefeituras e financiamentos ilegais de campanhas eleitorais em diversos municípios cearenses. O grupo seria liderado por Bebeto Queiroz e pelo deputado federal Júnior Mano (PSB).

De acordo com as investigações, Bebeto era responsável por intermediar a destinação das emendas parlamentares do deputado Júnior Mano para prefeituras alinhadas ao grupo, cobrando uma "taxa" que variava entre 12% e 15% do recurso. O dinheiro desviado era utilizado tanto para enriquecimento ilícito quanto para financiar campanhas eleitorais de aliados, incluindo práticas de compra de votos.

Estrutura complexa e alcance estadual

O esquema operava através de várias empresas que tinham contratos com diversas prefeituras do interior do Ceará. Uma vez que os candidatos apoiados pelo grupo eram eleitos, essas mesmas empresas conseguiam novos contratos com as prefeituras dos aliados, criando um ciclo de retroalimentação criminosa.

Análise da Controladoria-Geral da União (CGU) de 2025 revelou que nove empresas envolvidas no esquema receberam aproximadamente R$ 455,5 milhões de prefeituras cearenses entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025. Os investigadores encontraram uma lista com pelo menos 71 prefeituras do Ceará vinculadas ao deputado Júnior Mano, com candidatos apoiados pelo grupo eleitos em aproximadamente 50 cidades.

Dificuldades nas investigações

A Polícia Federal destaca em seu relatório que não foi possível ouvir o depoimento de Bebeto Queiroz devido à sua condição de foragido, o que "dificulta ainda mais sua defesa perante as provas colhidas e reforça a ideia de que sua evasão está diretamente ligada à tentativa de obstrução da investigação".

Um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará contra Carlos Alberto Queiroz segue em aberto com validade para todo o território nacional. A defesa de Bebeto Queiroz informou que somente irá se manifestar nos autos dos processos, enquanto a assessoria jurídica do deputado Júnior Mano afirmou que a investigação "nada encontrou de relevante contra o deputado" e lamentou o "vazamento seletivo de informações sigilosas".

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