Prefeito e vice de Macapá são afastados em operação da PF por suspeita de fraude em licitação
Prefeito de Macapá afastado em operação da PF por fraude

Operação da Polícia Federal afasta prefeito e vice de Macapá por suspeita de fraude em licitação

Nesta quarta-feira (4), a Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação que resultou no afastamento do prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), e do vice-prefeito, Mario Neto (Podemos), por um período de 60 dias. A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e integra uma investigação sobre um suposto esquema de fraude em licitação relacionado a um contrato da Secretaria Municipal de Saúde da capital do Amapá.

Alvos da operação e alegações de perseguição política

Além do prefeito e do vice, também foram alvos da medida a secretária municipal de Saúde, Erica Aranha de Sousa Aymoré, e o presidente da Comissão Especial de Licitação, Walmiglisson Ribeiro da Silva. A assessoria de Dr. Furlan, quando procurada, divulgou uma publicação em redes sociais na qual o prefeito sugere que está sendo vítima de perseguição política. Ele se declarou pré-candidato ao governo do Amapá e afirmou que os eventos eram esperados, citando "ataques, perseguições e atrasos".

Em sua declaração, Dr. Furlan disse: "A gente sabia que isso ia acontecer. Mas eles não estão indo contra o Furlan. Estão indo contra a vontade do povo, contra a população de Macapá e de todo o estado do Amapá. Diante disso, quero aqui reafirmar que sou pré-candidato a governador do estado do Amapá para construir um futuro melhor, cheio de trabalho, de realizações, de felicidade e de alegria ao lado do nosso povo. Meu compromisso é com o povo e eu conto com vocês para a gente vencer tudo e todos". As defesas do vice-prefeito e dos servidores não foram localizadas até a publicação deste texto.

Detalhes da investigação e foco no Hospital Geral Municipal

A operação incluiu buscas em endereços ligados ao prefeito, aos servidores e a sócios da empresa Santa Rita Engenharia. Segundo a PF, as investigações apontam suspeitas de um esquema criminoso que envolveria agentes públicos e empresários, com acusações de direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. O foco da apuração está no projeto de engenharia e execução das obras do Hospital Geral Municipal de Macapá.

Os mandados foram cumpridos em Macapá, Belém e Natal, e a investigação abrange recursos federais provenientes de emendas parlamentares transferidos ao município entre 2020 e 2024. De acordo com um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) citado na decisão do ministro, Macapá recebeu aproximadamente R$ 128,9 milhões por meio dessas transferências especiais, parte delas relacionadas à construção do Hospital Geral Municipal.

Indícios de direcionamento e movimentações financeiras atípicas

A Polícia Federal informou que há indícios de que a licitação para a obra do hospital, estimada em R$ 69,3 milhões, teria sido direcionada para beneficiar a empresa Santa Rita Engenharia Ltda. Perícias realizadas apontaram sinais de comprometimento da competitividade do processo licitatório, incluindo propostas incompatíveis com o mercado e coincidência entre o orçamento apresentado pela empresa e parâmetros internos da administração municipal.

As investigações também identificaram movimentações financeiras consideradas atípicas após a assinatura do contrato. Sócios da empresa teriam realizado saques em espécie que somam milhões de reais, com registros de transporte e possível redistribuição dos valores em Macapá. Parte das diligências sugere possíveis vínculos entre essas movimentações e pessoas próximas ao prefeito.

Medidas autorizadas pela decisão judicial

Além do afastamento dos envolvidos, a decisão do ministro Flávio Dino autorizou:

  • A quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados.
  • Buscas e apreensões em endereços ligados ao caso.
  • A suspensão da participação da Santa Rita Engenharia e de seus sócios em licitações no estado do Amapá enquanto durar a investigação.

Esta operação reforça o compromisso das autoridades em combater a corrupção e assegurar a transparência na gestão pública, especialmente em projetos de grande impacto social como a construção de hospitais.