Operação da Polícia Federal afasta prefeito de Cabedelo em investigação sobre fraudes
O prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo nesta terça-feira (14) por decisão judicial, após uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de contratos fraudulentos e ligações com uma facção criminosa. A ação surpreendeu a cidade, incluindo o novo prefeito interino, José Pereira (Avante), que assumiu o comando do executivo municipal conforme a lei.
Reação do novo prefeito interino e contexto político
José Pereira, presidente da Câmara Municipal, expressou surpresa com a operação, afirmando que toda a cidade está impactada. "Estou surpreso como vocês, né? Todos estão, a cidade inteira está. E nós estamos aqui. Eu sempre digo: a Câmara Municipal de Cabedelo está trabalhando em prol da população de Cabedelo", disse ele. Pereira destacou que espera que "as coisas andem corretamente" e que Edvaldo Neto "vai fazer a sua defesa com certeza".
O afastamento não está relacionado às eleições suplementares de domingo (12), nas quais Edvaldo Neto foi eleito para permanecer no cargo até 2028. Ele já atuava como prefeito interino desde 2025, após a cassação do então prefeito André Coutinho (Avante), também por suspeitas de vínculos com facção criminosa.
Detalhes da operação e investigações
De acordo com a apuração da TV Cabo Branco, a operação tem como alvos políticos, empresários e integrantes da facção "Tropa do Amigão", braço do "Comando Vermelho". A investigação aponta que um consórcio pode ter movimentado até R$ 270 milhões em contratos fraudulentos.
Foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, incluindo um apartamento do prefeito Edvaldo Neto em Intermares. A Polícia Federal ainda não divulgou detalhes sobre o material apreendido, mas dinheiro e outros objetos foram confiscados durante as diligências.
Além do prefeito, outros servidores públicos foram afastados por determinação judicial para preservar a investigação e impedir a continuidade das condutas. Os nomes desses servidores não foram revelados até o momento.
Defesa do prefeito e projeto de rigor nas contratações
Em nota, a defesa de Edvaldo Neto esclareceu que o afastamento é "de natureza provisória" e "não implica qualquer juízo definitivo de culpa". A nota reforçou que "o prefeito jamais manteve qualquer vínculo ou relação com facção criminosa, sendo tal imputação absolutamente inverídica e incompatível com sua trajetória pública".
O novo prefeito interino, José Pereira, comentou sobre um projeto para aumentar o rigor na contratação de servidores, que será discutido na sessão da Câmara Municipal desta terça-feira (14). "É um projeto que o prefeito está mandando para que a Câmara e a prefeitura tomem providências para que todas aquelas pessoas que foram admitidas na cidade tenham suas certidões, trabalhem limpas", explicou.
Colaboração entre órgãos e histórico recente
A operação é executada em regime de força-tarefa entre a Polícia Federal, o Ministério Público da Paraíba, por intermédio do Gaeco, e a Controladoria-Geral da União. Este caso segue um padrão de turbulência política em Cabedelo, onde o pleito suplementar foi realizado após a cassação dos mandatos do ex-prefeito André Coutinho e da ex-vice-prefeita Camila Holanda, também por suspeitas de ligações com facção criminosa.
Edvaldo Neto venceu a eleição suplementar após desbancar Walber Virgolino (PL), com Evilásio Cavalcante (Avante) como vice-prefeito. Ele já estava como interino na prefeitura após renunciar ao cargo de presidente da Câmara de Vereadores em dezembro do ano passado, em um cenário marcado por investigações e mudanças no comando municipal.



