PF arquiva denúncia da Refit contra diretores da ANP por abuso de autoridade
PF arquiva denúncia da Refit contra diretores da ANP

Polícia Federal arquiva denúncia da Refinaria de Manguinhos contra diretores da ANP

A Polícia Federal (PF) decidiu pelo arquivamento da notícia-crime apresentada pela Refinaria de Petróleo de Manguinhos (Refit) contra os diretores da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Pietro Mendes e Symone Araújo. A empresa, que se encontra em recuperação judicial, acusava os reguladores de abuso de autoridade e prevaricação devido a uma fiscalização que resultou na interdição total da unidade.

Investigação preliminar descarta ilegalidades

A investigação preliminar da PF, no entanto, concluiu que não houve qualquer ilegalidade ou desvio de finalidade nos atos praticados pelos diretores. Segundo o parecer jurídico, a fiscalização seguiu os ritos legais e foi motivada por inconformidades operacionais relevantes e riscos de segurança na refinaria.

A decisão da PF também se baseou em manifestações da Advocacia-Geral da União (AGU), que atestaram a regularidade administrativa da operação. A Refit sustentava que a interdição teria sido articulada de forma sigilosa para favorecer a Petrobras, alegando um suposto conflito de interesses pelo fato de Pietro Mendes ter presidido o Conselho de Administração da estatal.

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Estratégia de intimidação é descartada

Na leitura do mercado, o objetivo do empresário Ricardo Magro é visto como uma estratégia para intimidar os reguladores e tentar impedir que os diretores Pietro Mendes e Symone Araujo participem de decisões futuras envolvendo a refinaria. Contudo, a PF descartou essa tese, afirmando que a operação ocorreu dentro dos limites do poder de polícia regulatória e que as fiscalizações do setor dependem apenas de superintendências técnicas, dispensando comunicação prévia à diretoria colegiada.

O parecer da PF reforça essa percepção ao destacar que a denúncia feita pela empresa foi um "fato superveniente criado pela parte", incapaz de gerar vício ou impedimento na atuação dos agentes públicos. Com a constatação da ausência de materialidade do crime, o caso foi encerrado sem a instauração de inquérito policial.

Investigadores afirmam que o Grupo Refit sonegava impostos em toda a cadeia dos combustíveis, o que pode ter contribuído para o contexto de fiscalização rigorosa. A decisão da PF representa um reforço à autonomia das agências reguladoras e um sinal de que ações consideradas abusivas por empresas em dificuldades financeiras não serão toleradas sem justificativa técnica e legal sólida.

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