Operação Águas Virtuosas revela esquema de fraudes em parque mineiro
A Polícia Federal segue analisando minuciosamente o material apreendido durante a Operação Águas Virtuosas, que investiga um extenso esquema de fraudes em obras realizadas no Parque das Águas, localizado no município de Cambuquira, em Minas Gerais. Ao todo, seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades de Cambuquira, Alterosa e Alfenas, com o objetivo de coletar provas e documentos relacionados às irregularidades.
Investigados incluem ex-prefeito e empresários
Entre os principais investigados está o ex-prefeito de Cambuquira, Fabrício dos Santos Simone, eleito em 2016 pelo PSL e reeleito em 2020 pelo DEM. Além dele, também foram alvos da operação o proprietário e a empresa responsável por uma licitação realizada em 2022 no município. Já nas cidades de Alterosa e Alfenas, as buscas atingiram um ex-servidor de cargo de confiança e sócios de uma empresa ligada a um processo licitatório de 2011, ampliando o escopo das investigações.
Recursos federais desviados em dois convênios
De acordo com a Polícia Federal, as irregularidades estariam diretamente ligadas ao uso indevido de recursos provenientes de dois convênios federais destinados às obras no parque:
- Um convênio de 2009, firmado com o Ministério do Turismo, no valor de quase R$ 500 mil;
- E outro de 2021, firmado com o Ministério do Meio Ambiente, no valor de R$ 1 milhão.
O delegado da Polícia Federal em Varginha, João Carlos Giroto, explicou que as investigações tiveram início após o recebimento de um relatório de CPI enviado pela Câmara Municipal de Cambuquira. O documento apresentou indícios, ainda que iniciais, de que pessoas e empresas estariam envolvidas em irregularidades nas obras de ampliação e reforma do Parque das Águas.
Perícia comprova superfaturamento e obras incompletas
Giroto destacou que um ponto decisivo para embasar os mandados foi uma perícia realizada pela PF no ano passado, que comprovou superfaturamento, uso de materiais de qualidade inferior e não execução de partes das obras previstas. No convênio de 2009, a licitação aberta em 2011 previa reformas na Casa 7, no centro de artesanato, em todas as fontes de água e na portaria do parque. Já a licitação de 2022 incluía:
- Construção de uma ciclovia interna;
- Ampliação do paisagismo;
- Reforma do parque infantil;
- Instalação de catracas eletrônicas na portaria.
No entanto, segundo o laudo pericial:
- A maior parte das obras foi entregue com material de qualidade inferior;
- Algumas não chegaram a ser realizadas;
- A metragem informada pela prefeitura é menor do que a real constatada pelos peritos;
- As catracas eletrônicas não foram encontradas no parque.
Crimes investigados e relato de testemunhas
Além de Fabrício dos Santos Simone, outro ex-prefeito também é investigado, embora não tenha sido alvo de mandado nesta fase da operação. Segundo o delegado, os investigados podem responder por três crimes principais:
- Fraude em licitação;
- Peculato (apropriação indevida de recursos públicos);
- Associação criminosa.
Giroto revelou ainda um relato de testemunhas indicando que valores arrecadados na portaria do parque teriam sido retirados pelo então prefeito, sob justificativa de que se tratava de um empréstimo e seriam depositados posteriormente em conta do município, o que, segundo ele, caracteriza indício claro de peculato.
Material apreendido e continuidade das investigações
Durante as buscas, foram apreendidos computadores, celulares, documentos e planilhas, que agora passam por análise minuciosa da Polícia Federal. A investigação continua ativa, e novos desdobramentos podem surgir a partir da avaliação desse material, que poderá revelar mais detalhes sobre o esquema fraudulento. As autoridades aguardam manifestação da defesa do ex-prefeito Fabrício dos Santos Simone para prosseguir com as apurações.



