Operação investiga repasses de R$ 5,1 milhões da Prefeitura de Tocantinópolis para clube de futebol
Operação investiga repasses de R$ 5,1 mi para clube no TO

Operação investiga repasses milionários da prefeitura para clube de futebol no Tocantins

A Polícia Civil do Tocantins deflagrou nesta quinta-feira (12) uma operação para investigar um suposto esquema de desvio de mais de R$ 5,1 milhões em recursos públicos da Prefeitura de Tocantinópolis para o Tocantinópolis Esporte Clube. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços do prefeito Fabion Gomes (PL) e do presidente do clube, sargento da PM Leandro Pereira de Sousa, além da sede da agremiação esportiva, secretarias municipais e gabinete do prefeito.

Esquema contínuo desde 2009 com indícios de lavagem de dinheiro

Conforme a investigação, o fluxo de repasses irregulares ocorre de forma contínua desde 2009, estendendo-se até 2024. A operação, batizada de "2º Tempo", investiga os crimes de peculato, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou saques elevados, circularidade de valores entre contas e recebimentos incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.

O documento aponta que os investigados teriam estruturado um esquema contínuo de desvio de recursos públicos, que eram repassados ilegalmente do município para o Tocantinópolis Esporte Clube. Após entrar na conta da entidade esportiva, o dinheiro era supostamente redistribuído entre dirigentes e terceiros, com sinais claros de ocultação e dissimulação da origem ilícita.

Três eixos principais do esquema criminoso

As apurações da Polícia Civil, fundamentadas em relatórios do Coaf, apontaram que o desvio de verbas era estruturado em três eixos principais:

  1. Repasses irregulares: Gestores municipais autorizavam transferências de recursos públicos ao clube, ignorando decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCE/TO) que já haviam apontado a ilegalidade de tais atos.
  2. Entidade de fachada: Para a polícia, o clube era utilizado como estrutura de fachada, com falsificação de documentos como atas e recibos para simular legalidade das transferências, que não possuíam relação com interesse público ou atividades esportivas reais.
  3. Lavagem de dinheiro: Após chegarem às contas do clube, os valores eram redistribuídos para contas pessoais de dirigentes e terceiros, além de serem realizados saques em espécie para dificultar o rastreamento do dinheiro.

Histórico de irregularidades e posicionamentos

Segundo a polícia, as irregularidades eram de conhecimento das autoridades desde 2007, quando o TCE/TO julgou irregular a prestação de contas daquele ano devido à ausência de autorização legal para as transferências. Durante o cumprimento dos oito mandados, policiais apreenderam documentos administrativos, dispositivos eletrônicos e registros contábeis.

O prefeito Fabion Gomes (PL) informou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que os pagamentos ao time foram cancelados durante sua gestão por ordem judicial, mas os repasses de gestões anteriores foram feitos com base em uma legislação do município. Já o presidente do Tocantinópolis, Leandro Pereira, afirmou que o clube não tem convênio e não recebe repasses da prefeitura desde que assumiu a presidência em janeiro de 2025.

"Com relação a esses repasses, essa lei em dezembro, mais especificamente dezembro de 2024, antes de eu ser presidente, ter a eleição para presidente, tinha uma liminar aonde suspende esse repasse. E dali então não foi mais feito repasse", declarou Pereira.

O g1 também pediu posicionamento do Tocantinópolis Esporte Clube, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. A operação continua em andamento com análise dos materiais apreendidos e aprofundamento das investigações sobre o esquema que movimentou milhões de reais em recursos públicos.