Caso Master: Inquérito sobre ameaças a gestor de fundos é enviado ao Supremo Tribunal Federal
A 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo realizou, no último dia 17 de março, o envio de um inquérito da Polícia Federal diretamente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Este procedimento judicial investiga as acusações feitas por um gestor de fundos de investimento, que alega ter sofrido ameaças e perseguição por parte do empresário Nelson Tanure, figura central nas investigações do escândalo do Banco Master.
Os protagonistas do conflito judicial
Nelson Tanure é um conhecido empresário brasileiro, famoso por reestruturar grandes companhias em crise nos setores de energia, telecomunicações, petróleo, saúde, infraestrutura e mídia. Ele foi alvo de busca e apreensão durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, em janeiro, suspeito de envolvimento nas fraudes do Master e de ser sócio oculto da instituição financeira.
Do outro lado, está Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital, o gestor de fundos que formalizou as acusações de coação e perseguição. Timerman prestou depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado Federal no dia 18 de março, onde reafirmou publicamente uma acusação que vem fazendo desde 2023: a de que Tanure é o verdadeiro dono oculto do Banco Master.
O conteúdo das acusações e a conexão com o Supremo
O argumento central de Timerman para solicitar a remessa do inquérito ao STF foi a suposta semelhança entre as ameaças que alega ter sofrido e o modus operandi da chamada "Turma" de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master. Segundo investigações da Polícia Federal, este grupo utilizava um aplicativo de mensagens para coordenar intimidações a adversários, hackeava sistemas oficiais e atacava a reputação de quem se opusesse aos interesses do esquema.
O inquérito sobre as supostas ameaças foi aberto pela PF em São Paulo em 2024, após Timerman relatar ao Ministério Público Federal que se tornara alvo de assédio judicial e monitoramento em tempo real por parte de Tanure e seus associados. Estas ações, segundo o gestor, seriam uma retaliação por suas denúncias públicas contra o empresário.
Timerman acusa Tanure de praticar insider trading com ações da empresa Alliar, utilizando informações privilegiadas para prejudicar acionistas minoritários. Ele também menciona o Banco Master como participante da engenharia financeira usada por Tanure para assumir o controle da Alliar e aponta irregularidades na construtora Gafisa.
O próximo passo: decisão do ministro relator
Agora, o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, deverá decidir se este inquérito sobre as ameaças vai se juntar aos demais que já tramitam na Corte. Estes processos investigam o grupo de Vorcaro por operações fraudulentas entre o Master e o Banco Regional de Brasília (BRB), pelo uso de fundos de investimento para manipulação de mercado e lavagem de capitais, e pela contratação de influenciadores digitais para atacar autoridades do Banco Central.
Se mantido no STF, o caso ganhará nova dimensão, conectando as alegações de intimidação pessoal ao amplo esquema criminoso já sob investigação.
As defesas e contra-acusações
Nelson Tanure, através de sua assessoria, nega veementemente todas as acusações. Em nota oficial, afirmou que "nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto, do Banco Master", mantendo apenas "relações comerciais legítimas" com a instituição. A defesa de Tanure também questiona a credibilidade de Timerman, alegando que o gestor "ostenta diversas condenações no Poder Judiciário".
Em contrapartida, a defesa de Vladimir Timerman confirmou a existência da investigação sobre os atos que ele alega ter sofrido, ressaltando que seu cliente "não respondia a nenhum processo criminal e não possuía qualquer condenação antes de noticiar as ilicitudes".
Este envio do inquérito representa mais um capítulo na longa disputa judicial entre Timerman e Tanure, marcada por acusações mútuas e processos cruzados. O desfecho agora depende da análise do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal, que determinará se as alegações de ameaças serão investigadas em conjunto com o complexo caso do Banco Master.



