O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta terça-feira, 10, que deixará o comando da pasta na próxima semana, em um movimento que antecede sua possível candidatura nas eleições de 2026. A previsão é que o secretário-executivo do ministério, Dario Durigan, assuma a função após a saída de Haddad, garantindo continuidade nas políticas econômicas do governo.
Desincompatibilização e estratégia eleitoral
"Devo deixar o governo na semana que vem", declarou Haddad, em referência à necessidade de se desincompatibilizar do cargo ministerial para disputar as eleições. Pela legislação eleitoral brasileira, ministros que desejam concorrer a cargos eletivos precisam deixar seus postos oficiais até seis meses antes da votação, o que neste ano ocorre no início de abril.
Sobre sua candidatura, Haddad afirmou: "Estamos conversando, estudando a que concorrer. Ainda vamos discutir. Não é só a candidatura, temos que ver o grupo de pessoas que vão compor a chapa, estamos vendo tudo isso com os cuidados devidos".
Pressão de Lula e cenário político
Segundo a jornalista e comentarista da GloboNews, Ana Flor, apesar de demonstrar resistência inicial, Haddad deve aceitar o pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou precisar do ministro na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. O alvo é o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O acirramento da disputa presidencial, especialmente após a divulgação da pesquisa Datafolha no último sábado, 7, serviu como argumento final para convencer Haddad. Em conversas internas do governo, o ministro argumentava que Lula estava em uma situação mais positiva na corrida presidencial do que em 2022, quando disputou com Bolsonaro ocupando a presidência.
No entanto, as pesquisas recentes têm mostrado um segundo turno muito apertado entre Lula e Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente. Por isso, a presença de Haddad na disputa em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, tem sido considerada fundamental para a estratégia do governo.
Pesquisa Datafolha e cenários eleitorais
A pesquisa Datafolha divulgada no domingo, 8, pelo jornal Folha de S.Paulo aponta que o governador Tarcísio de Freitas lidera de forma isolada todos os cenários testados para o governo de São Paulo no primeiro turno das eleições de 2026. Nos levantamentos, o atual chefe do Executivo estadual aparece sempre com mais de 40% das intenções de voto.
Em um cenário de primeiro turno contra Fernando Haddad, Tarcísio aparece na frente com 44% das intenções de voto. O instituto simulou disputas com diferentes possíveis adversários, e mesmo com a variação de nomes, Tarcísio mantém vantagem sobre os concorrentes em todos os cenários pesquisados.
Metodologia da pesquisa
O Datafolha entrevistou 1.608 eleitores de 16 anos ou mais em 71 municípios, entre segunda-feira, 3, e quinta-feira, 5. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. Esses dados reforçam a importância da movimentação política de Haddad, que busca fortalecer a oposição em um estado-chave para as eleições nacionais.
A saída de Haddad do Ministério da Fazenda marca um momento crucial na política brasileira, com implicações tanto para a economia quanto para o cenário eleitoral de 2026. A transição para Dario Durigan e a possível candidatura de Haddad serão acompanhadas de perto nos próximos meses.



