Planalto mobiliza Ministério da Justiça para conter vazamentos no Caso Master
O Palácio do Planalto decidiu entrar em campo de forma decisiva para tentar impedir o vazamento de informações sigilosas no escândalo do Banco Master, que tem agitado os círculos políticos brasileiros. Após uma série de queixas formais de líderes do Congresso Nacional e de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, orientou diretamente o ministro da Justiça, Wellington Lima, a apurar com rigor a origem precisa dos vazamentos. A movimentação ocorreu após uma reunião estratégica entre Gleisi e as lideranças do governo na Câmara dos Deputados e no Senado Federal na segunda-feira, dia 9 de setembro.
Temor de uma nova operação Lava Jato em ano eleitoral
O grande temor no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é que o caso se transforme em uma espécie de nova Lava Jato, com o uso deliberado de vazamentos seletivos para atingir alvos políticos específicos em pleno ano eleitoral. A decisão do governo também representa um gesto político significativo em direção ao STF. Nos bastidores do poder, ministros da Corte têm relatado insatisfação crescente com a Polícia Federal e a aparente falta de controle efetivo do governo sobre as investigações.
O mal-estar institucional aumentou consideravelmente após o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregar diretamente ao ministro Edson Fachin provas colhidas contra o ministro Dias Toffoli. Assessores próximos ao presidente Lula citam o governo de Dilma Rousseff como um exemplo negativo que não deve ser repetido. Naquela época, a avaliação interna era que o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, não conseguia conter a autonomia excessiva da PF, o que teria alimentado diretamente o clima político favorável ao impeachment. Agora, o Planalto deseja demonstrar de forma clara que está vigilante e no controle da situação.
Inquérito da PF e ordem de alerta máximo
Apesar da orientação explícita de Gleisi Hoffmann, a leitura atual no Ministério da Justiça é que o inquérito já aberto pela Polícia Federal na sexta-feira, dia 6 de setembro, por ordem do ministro André Mendonça, é considerado suficiente por enquanto. No entanto, a ordem interna é de alerta máximo para evitar qualquer nova exposição indevida de autoridades públicas. A situação permanece sob monitoramento constante, com a possibilidade de novas medidas serem adotadas caso surjam mais vazamentos.
Crise política com o presidente do Senado
Enquanto tenta conter os vazamentos no Caso Master, Lula busca apagar outro incêndio político: a relação deteriorada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que vive seu pior momento. No fim da semana passada, Lula telefonou pessoalmente para Alcolumbre após o senador decidir não anular a quebra de sigilo de Lulinha, filho do presidente. A retaliação de Alcolumbre veio após o petista citar, em entrevista pública, o envolvimento do Instituto de Previdência do Amapá no escândalo do Master — reduto político tradicional do senador.
Os dois líderes combinaram de se encontrar presencialmente esta semana para aparar as arestas e restaurar o diálogo. Na pauta do encontro, além da crise do Master, estão temas cruciais como a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, a PEC da Segurança Pública e o encontro de Lula com senadores, que está travado desde o mês de fevereiro.
Falta de estratégia e pressão por presença de Lula
O governo Lula ainda não encontrou uma linha de discurso coesa e uma estratégia de comunicação eficaz para o escândalo do Master. A implicação de ministros do Supremo Tribunal Federal na trama dificulta sobremaneira uma ação mais coordenada e intensa do Planalto. Alguns ministros do governo defendem abertamente que a administração adote uma postura mais ofensiva, buscando associar o Caso Master à direita bolsonarista de forma estratégica.
Contudo, auxiliares diretos de Lula afirmam que o presidente ainda não deu uma linha clara de como lidar com o tema delicado. Há queixas crescentes no entorno de Lula sobre o excesso de viagens internacionais, que tiram o presidente das decisões cruciais sobre questões domésticas urgentes. A percepção geral é que a ausência frequente do presidente dificulta significativamente a definição de uma linha de defesa robusta e de um discurso claro do governo para lidar com o escândalo do Master.
A pressão interna para que Lula fique mais tempo no Brasil já surtiu efeito concreto: o presidente cancelou a viagem que faria ao Chile para a posse de José Antônio Kast, optando por permanecer em Brasília e focar nas crises políticas nacionais. A imagem de Lula durante declarações na visita de Estado do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, simboliza a tensão entre compromissos internacionais e demandas domésticas prementes.



