Ministro do STF viajou em jatinho de empresa com conexões ao Banco Master
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes utilizou um avião da empresa Prime Aviation para uma viagem entre Diamantino, no Mato Grosso, e Brasília, no dia 1º de janeiro de 2025. A aeronave pertence a uma companhia que tinha como sócio Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, conforme revelado por investigações jornalísticas.
Detalhes da viagem e oferta do voo
A viagem foi oferecida ao magistrado por Marcos Molina, maior acionista da MBRF, grupo que controla marcas como Sadia e Perdigão. Gilmar Mendes viajou para sua cidade natal, Diamantino, para assistir à posse de seu irmão, Chico Mendes, como prefeito do município. As informações foram inicialmente publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e posteriormente confirmadas pela Folha de S.Paulo.
Procurado pela reportagem, o ministro ainda não se manifestou sobre o caso. No entanto, ele afirmou ao Estado de S. Paulo que desconhecia as relações de Daniel Vorcaro com a Prime Aviation. A MBRF, por sua vez, confirmou a viagem e esclareceu que Molina detém uma das cotas do avião PT-PVH, utilizado no deslocamento.
Empresa não divulga dados de usuários
A Prime Aviation adotou uma postura de reserva em relação ao episódio, declarando que não divulga "dados sobre os usuários das aeronaves do seu portfólio, sejam eles cotistas e seus convidados ou clientes de fretamento do serviço de táxi aéreo". Vorcaro era proprietário de parte da empresa por meio do fundo Patrimonial Blue, que também é dono da mansão utilizada pelo ex-banqueiro em Brasília.
Outros ministros do STF também utilizaram aeronaves da Prime
A Folha de S.Paulo revelou que outros dois ministros do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, fizeram uso de aviões da Prime Aviation para deslocamentos em 2025. A reportagem cruzou dados de embarques no terminal executivo do aeroporto de Brasília com registros de decolagens e informações sobre proprietários de jatinhos.
Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci, foram registrados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como passageiros do hangar de jatos executivos de Brasília em oito ocasiões. Após esses registros, houve decolagens de aeronaves da Prime Aviation. O escritório de advocacia de Viviane, o Barci de Moraes Sociedade de Advogados, recebeu R$ 80 milhões em dois anos do Banco Master, conforme documentos enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga o crime organizado.
Viagem de Dias Toffoli e conexões com resort
Dias Toffoli entrou no terminal executivo do aeroporto de Brasília às 10h do dia 4 de julho, segundo dados da Anac. Um avião da Prime Aviation decolou às 10h10 com destino a Marília, cidade natal do ministro, de acordo com informações do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). No mesmo dia, seguranças do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo foram deslocados para Ribeirão Claro, no Paraná, município onde está localizado o resort Tayayá, frequentado por Toffoli e situado a 150 km de Marília.
Toffoli e Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e considerado operador financeiro do banqueiro, foram sócios no Tayayá até o ano passado. O ministro, que era relator original do inquérito que apura fraudes do Banco Master, se afastou do caso após a Polícia Federal indicar pagamentos a uma empresa vinculada a ele, que, segundo Toffoli, estariam relacionados à venda de participação no resort.



