Gilmar Mendes critica Zema por atacar STF após usar corte para adiar dívidas de MG
Gilmar Mendes critica Zema por atacar STF após usar corte

Ministro do STF aponta contradição em posição de ex-governador mineiro

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, utilizou suas redes sociais para realizar uma crítica contundente ao ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. O ponto central da discussão é o apoio público que Zema tem manifestado à ideia de afastamento dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli da mais alta corte do país.

Para Gilmar Mendes, a postura atual do ex-governador é "no mínimo irônica". O magistrado fundamenta sua afirmação ao lembrar que, durante a gestão de Zema à frente do estado mineiro, o próprio governo estadual recorreu diversas vezes ao STF solicitando medidas judiciais que permitiram o adiamento, por vários meses, do pagamento de parcelas da dívida bilionária de Minas Gerais com a União.

Recurso ao STF durante a gestão estadual

Em sua publicação, Gilmar Mendes fez referência direta à Nota Técnica SEI nº 1.488/2026, do Ministério da Fazenda, que, segundo ele, confirma os fatos. "O mesmo agente que hoje agride o Tribunal recorreu a ele inúmeras vezes para obter decisões que suspenderam obrigações bilionárias com a União", escreveu o ministro, destacando a contradição que enxerga na conduta de Zema.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O ministro do Supremo seguiu em sua argumentação, afirmando que, sem o "socorro institucional" proporcionado pelas decisões do STF na época, o então governador teria enfrentado um cenário de grave desorganização fiscal. Essa situação, de acordo com Gilmar, colocaria em risco concreto a continuidade de serviços públicos essenciais para a população mineira.

"A contradição é latente", pontuou o magistrado. "Quando o STF profere decisões que garantem o fluxo de caixa ou suprem omissões do Legislativo local, a Corte é acessada como agente necessário ao funcionamento da máquina estatal. Afinal, ninguém recorreria sucessivamente a um Tribunal cuja legitimidade não reconhecesse".

Respostas de Zema e do partido Novo

A declaração do ministro não ficou sem resposta. Tanto Romeu Zema quanto seu partido, o Novo, rebateram publicamente as acusações. A legenda partidária publicou uma nota em suas redes sociais afirmando que "Gilmar Mendes inverte tudo".

A nota do Novo argumenta: "As críticas de Romeu Zema à conduta de certos ministros viram 'ataque ao tribunal'. Já decisões do tribunal são tratadas como favor pessoal de certos ministros. [Ele] Usa a toga como escudo e arma ao mesmo tempo".

Por sua vez, Romeu Zema respondeu de forma mais direta, chamando Gilmar Mendes de "intocável" e retomando os ataques aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. O ex-governador fez referência a contratos milionários envolvendo familiares de ministros, especificamente mencionando a esposa de Alexandre de Moraes.

"Enquanto eu vou ao STF em busca de resolver a vida dos mineiros, tem gente que vai aí arranjar contrato de 129 milhões de reais para a esposa", afirmou Zema, questionando a defesa que Gilmar faz do Tribunal. "Quer que eu fique calado? É só os ministros intocáveis pararem de roubar o brasileiro, parar de beneficiar os seus familiares... Deixem de ser intocáveis e voltem a ser juízes, empregados do povo", completou o ex-governador em tom de desafio.

Conflito expõe tensões políticas e judiciais

O embate público entre uma figura de alto escalão do Judiciário e um ex-governador com projeção nacional evidencia as tensões recorrentes entre os poderes no Brasil. A troca de acusações vai além da discussão sobre casos específicos e atinge questões fundamentais sobre o papel e a legitimidade das instituições.

Gilmar Mendes encerrou sua crítica com uma análise mais ampla do fenômeno: "Basta que a Corte contrarie interesses políticos desse grupo para que o pragmatismo jurídico dê lugar a chavões vazios de 'ativismo judicial' e a ataques à honra dos ministros. É a política do utilitarismo: o STF serve como escudo fiscal e contábil, mas é tratado como vilão quando decide conforme a Constituição — e não conforme a conveniência de ocasião".

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Este episódio reforça o clima de polarização que permeia o debate político e institucional brasileiro, com acusações mútuas de má-fé, hipocrisia e desvio de função. A discussão pública sobre o afastamento de ministros do STF, impulsionada por figuras políticas, continua a gerar reações acaloradas de diferentes setores do poder e da sociedade.