Filho de Lula movimentou R$ 19,5 milhões em 1,5 mil transações, revela quebra de sigilo
Filho de Lula movimentou R$ 19,5 milhões, revela quebra de sigilo

Filho de Lula movimentou R$ 19,5 milhões em 1,5 mil transações bancárias

Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, realizou impressionantes 1,5 mil transações bancárias entre os anos de 2022 e 2026, movimentando um montante total de R$ 19,5 milhões. Essas informações vieram à tona através de uma quebra de sigilo aprovada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas que posteriormente foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Ministro do STF critica votação "em globo" e anula decisão

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, em decisão proferida na quinta-feira (5), estendeu a anulação das quebras de sigilo aprovadas pela CPMI do INSS para incluir Fábio Luís Lula da Silva. Em sua fundamentação, Dino criticou veementemente o procedimento de "votação em globo" utilizado pelos parlamentares.

"Assim como um Tribunal não pode quebrar sigilos bancários de empresas e cidadãos com decisões 'em globo' e simbólicas (em uma espécie de 'olhômetro'), um órgão parlamentar não pode fazê-lo", afirmou o ministro em trecho da decisão.

A prática de votação em globo ocorre quando os parlamentares analisam os itens previstos na pauta de forma conjunta, sem votar cada item separadamente, sendo comum quando há consenso entre os membros do Congresso Nacional.

Sessão da CPMI foi marcada por confusão e tumulto

No dia 26 de fevereiro de 2026, a comissão parlamentar aprovou a quebra de sigilo bancário do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma sessão comandada pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG) que rapidamente degenerou em confusão e empurra-empurra entre os parlamentares.

Durante a reunião, o presidente da CPMI deu início a uma votação simbólica dos requerimentos pautados em globo, destacando que suplentes não teriam direito a voto. Na votação simbólica, os parlamentares a favor deveriam permanecer sentados, enquanto os contra se levantariam para se manifestar.

Viana fez a contagem em voz alta, alegando que seriam sete votos, desconsiderando suplentes. Após o anúncio do resultado, governistas se aproximaram da mesa para protestar, momento em que começou o tumulto com troca de socos e necessidade de separação física dos envolvidos.

Base do governo questiona contagem de votos

Parlamentares da base do governo afirmaram que a contagem foi feita de forma incorreta e que eles tinham 14 votos contrários à quebra dos sigilos, número suficiente para barrar a medida. Entre os envolvidos no empurra-empurra estavam o deputado Rogério Correa (PT-MG), o relator Alfredo Gaspar (União-AL), e os deputados Evair de Melo (PP-ES) e Luiz Lima (Novo-RJ).

Membros da base governista questionaram a decisão do presidente da CPMI e recorreram à presidência do Senado, mas o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), rejeitou o pedido e manteve a decisão da comissão naquele momento.

Investigação teve origem em mensagens apreendidas pela PF

O filho do presidente Lula entrou na mira de parlamentares da oposição após a Polícia Federal apreender trocas de mensagens entre Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", e uma empresária com possíveis menções a ele. Essas comunicações teriam levantado suspeitas que motivaram os pedidos de quebra de sigilo.

Na decisão desta quinta-feira, o ministro Dino ainda afirmou que a CPMI "deve, se desejar, proceder à nova deliberação das quebras de sigilo em relação a todos os alcançados pela equivocada votação 'em globo' e imotivada do dia 26 de fevereiro de 2026".

O caso exemplifica as tensões políticas no Congresso Nacional e os debates sobre os limites dos poderes de investigação das comissões parlamentares, especialmente quando envolvem familiares de autoridades do mais alto escalão do governo federal.