O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) classificou as novas instalações onde seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, cumpre pena como um "ambiente prisional severo". A declaração foi feita após a transferência do ex-mandatário da sede da Polícia Federal (PF) em Brasília para a Papudinha, apelido de um batalhão da Polícia Militar próximo ao Complexo Penitenciário da Papuda.
Pedidos por prisão domiciliar e críticas à Justiça
A família e aliados políticos de Bolsonaro seguem insistindo na mudança para o regime de prisão domiciliar. O principal argumento é o estado de saúde considerado frágil do ex-presidente. Em vídeo publicado nas redes sociais, Carlos Bolsonaro foi enfático: "Meu pai não tem que ir para presídio nenhum, ele tem que ir para casa".
As críticas também se voltam ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do processo que condenou Bolsonaro e responsável pela determinação da transferência. Em uma postagem, o ex-vereador atacou diretamente o magistrado, afirmando que suas "qualidades como ser humano não merecem ser enumeradas diante de tamanha maldade".
Saúde do ex-presidente e estratégia política
O histórico médico de Jair Bolsonaro é usado como justificativa central para os pedidos de domiciliar. No último ano, ele passou por uma cirurgia de hérnia, um procedimento para controlar crises de soluço e uma operação de 12 horas para desobstrução intestinal. Na semana passada, ele sofreu uma queda e foi diagnosticado com traumatismo craniano leve, sendo liberado após exames.
Paralelamente, aliados articulam uma estratégia política de longo prazo. Carlos Bolsonaro mencionou que a eleição de 2026 é fundamental para ter esperanças, com o objetivo de aprovar uma anistia e eleger senadores em número suficiente para pressionar ou até mesmo remover o ministro Alexandre de Moraes do STF.
Reações de líderes da oposição
Lideranças do PL no Congresso Nacional ecoaram as críticas da família. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), acusou Moraes de submeter Bolsonaro a risco de vida e disse que a transferência "escancara o abuso". Já o líder na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), declarou: "A gente não quer Papuda ou Papudinha. A gente quer ele em casa. É mais um martírio".
O senador Esperidião Amin (PP-SC), relator do projeto que reduz penas dos condenados no processo golpista, viu a transferência como uma possível "redução de danos", já que as instalações da Papudinha são maiores que as da PF. No entanto, ele também defendeu a prisão domiciliar e criticou o poder concentrado de Moraes sobre a execução da pena.
Jair Bolsonaro foi condenado em setembro de 2025 a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes como golpe de Estado, organização criminosa armada e dano ao patrimônio público, relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023. A decisão pela transferência foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, que informou que a nova cela possui cozinha, lavanderia e espaço para esteira.