Servidora é exonerada de prefeitura em Mato Grosso após fala homofóbica vazada
A servidora pública Evirlene Sipauba Costa foi exonerada do cargo de secretária municipal de Cultura de Confresa, cidade localizada a 1.160 km de Cuiabá, após um áudio contendo declarações homofóbicas contra o vereador Marcelo Souza vazar nas redes sociais. A exoneração foi formalizada através de uma portaria publicada pelo município na última sexta-feira, dia 6 de setembro.
Portaria revoga atos anteriores e determina desligamento imediato
O documento, assinado pelo prefeito Ricardo Aloisio Babinski, determinou o desligamento de Evirlene Sipauba Costa a partir da data de publicação da portaria. A decisão administrativa revogou expressamente qualquer ato anterior que mantivesse a servidora no exercício do cargo de secretária de Cultura. A Prefeitura de Confresa e a ex-servidora não se manifestaram sobre o caso até o fechamento desta reportagem.
Áudio foi gravado após evento do Dia Internacional da Mulher
O áudio polêmico foi gravado pela então secretária após um evento voltado para mulheres do agronegócio, realizado em Confresa há três dias em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Na gravação, Evirlene questiona a participação do vereador Marcelo Souza como palestrante, fazendo comentários discriminatórios sobre sua orientação sexual.
"E esse evento para mulheres do agro que eu não estava sabendo e eu gostaria de estar aí? O palestrante que tá meio assim 'torto'. Não entendi, um homem que nem gosta de mulher, casada com outro, e palestrando para as mulheres. Onde que a gente chegou?", disse ela no registro de áudio que circulou amplamente nas plataformas digitais.
Vereador publica nota de repúdio e Câmara aprova moção unânime
O vereador Marcelo Souza reagiu publicamente às declarações, classificando o áudio como "inaceitável e discriminatório" em uma nota de repúdio divulgada em suas redes sociais. O parlamentar enfatizou que comentários dessa natureza violam os princípios de respeito e diversidade que devem orientar o serviço público e a convivência democrática entre os poderes municipais.
A Câmara Municipal de Confresa aprovou por unanimidade uma Moção de Repúdio contra as declarações homofóbicas de Evirlene Sipauba Costa. O documento oficial destaca que atitudes discriminatórias são incompatíveis com o exercício de funções públicas, especialmente em cargos de direção responsáveis por políticas culturais.
"É inadmissível que um agente público investido em função de direção na Administração, responsável por conduzir políticas públicas culturais que devem promover diversidade, inclusão, respeito e valorização das diferenças, se utilize de manifestações discriminatórias ou ofensivas contra qualquer cidadão, sobretudo quando dirigidas a membro do Poder Legislativo Municipal", afirma trecho da moção aprovada pelos vereadores.
Contexto político e repercussão institucional
O caso ocorre em um município do interior de Mato Grosso e envolve figuras públicas de diferentes partidos - Evirlene é filiada ao PL, enquanto o prefeito e o vereador são do MDB. A rápida exoneração demonstra a sensibilidade das instituições públicas em relação a casos de discriminação, especialmente quando envolvem agentes em posições de liderança.
A Secretaria Municipal de Cultura de Confresa, cargo que Evirlene ocupava, tem entre suas atribuições a promoção de políticas culturais inclusivas e o respeito à diversidade, tornando as declarações da ex-servidora particularmente contraditórias com as funções do cargo que exercia.



