Ex-reitor da UERR usava suposta influência no Judiciário para blindar esquema milionário
O ex-reitor da Universidade Estadual de Roraima (UERR), Regys Odlare Lima de Freitas, investigado por liderar um esquema de desvio de dinheiro público, naturalizou a corrupção na instituição e demonstrava suposta influência junto ao Poder Judiciário para garantir impunidade. É o que revela trecho da denúncia feita pelo Ministério Público (MP), à qual o g1 teve acesso.
Intimidade com desembargadores era usada como blindagem
A investigação revelou que Regys fazia parecer ter proximidade com membros da Justiça para garantir a manutenção das fraudes e impunidade do grupo. Na investigação consta o depoimento do atual reitor da instituição, Cláudio Travassos, ex-vice reitor da UERR sob Regys Freitas. Segundo o documento, Regys se gabava de ter "intimidade" com desembargadores para blindar sua gestão, marcada por escândalos de corrupção.
Travassos relatou que o ex-reitor afirmava frequentemente que o "Desembargador A, B ou C resolveria o que fosse necessário" caso surgissem problemas legais. Essa postura criou, segundo o atual reitor, um ambiente institucional onde as irregularidades eram "naturalizadas" sob a lógica de que "não vai acontecer nada".
Orçamento paralelo movimentou R$ 140 milhões em 2022
O depoimento detalha o volume financeiro do esquema. Segundo o atual reitor, existia uma "contabilidade paralela" na universidade. Ao assumir a gestão e analisar os extratos bancários, Travassos descobriu que a UERR movimentou cerca de R$ 140 milhões apenas no ano de 2022, embora o orçamento oficial da instituição fosse de aproximadamente R$ 90 milhões.
O dinheiro extra era movimentado por fora do previsto no orçamento da instituição, que não eram registradas nos relatórios oficiais de gestão, mantendo a documentação formalmente "limpa" para os órgãos de controle. Essa certeza de impunidade teria permitido que os desvios chegassem a valores "exagerados" e "grosseiros", conforme descrito na denúncia.
Recursos públicos usados para móveis planejados da residência
Além dos desvios institucionais, o depoimento aponta que Regys usava recursos da UERR para fins pessoais. Ele teria firmado compromissos verbais com empresas para pagar móveis planejados de sua residência com verbas da universidade. Um empresário chegou a procurar a nova gestão para cobrar o pagamento desses serviços particulares.
Perfil do ex-reitor acumula polêmicas
Reitor da UERR por oito anos, advogado, ex-policial civil e doutor em Direito, Regys Odlare Freitas assumiu a reitoria em 2015, ainda na gestão da ex-governadora Suely Campos (PP), e foi reeleito em 2019. Durante sua administração, acumulou polêmicas e embates internos com professores e servidores.
Ele também é suspeito de agredir e ameaçar a ex-esposa, uma estudante de medicina. A Justiça concedeu medida protetiva que o proibiu de se aproximar da vítima. Segundo a decisão, Regys teria feito ameaças, xingamentos e vazado conversas íntimas da ex-mulher. O ex-reitor negou as acusações e afirmou à época que a decisão se baseou "exclusivamente na palavra da mulher".
Em janeiro de 2024, Regys foi nomeado controlador-geral do Estado de Roraima pelo governador Antonio Denarium (PP), cargo com status de secretário de Estado. Ele foi exonerado no mesmo dia em que se tornou alvo da Operação Cisne Negro, em abril do mesmo ano.
O g1 tenta contato com Regys Freitas, Cláudio Travassos e com o Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), e aguarda retorno sobre as citações presentes na denúncia do Ministério Público.



