Ex-presidente do BRB é preso em operação da PF por esquema milionário
A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, em uma operação que investiga um sofisticado esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria repassado cerca de R$ 74 milhões em vantagens ilegais ao então presidente da instituição pública.
Esquema milionário interrompido por vazamento
A investigação da Polícia Federal revela que, apesar de terem combinado vantagens ilegais estimadas em R$ 146,5 milhões, o valor efetivamente repassado por Vorcaro a Paulo Henrique Costa foi aproximadamente a metade desse montante. O motivo para a interrupção dos repasses foi a descoberta, por parte do banqueiro, da existência de um inquérito sigiloso sobre essas transações.
O esquema envolvia a compra de imóveis de alto padrão em São Paulo e no Distrito Federal, que seriam transferidos para empresas ligadas ao ex-presidente do BRB. Até o momento, foram identificados repasses vinculados a seis propriedades de luxo: Heritage, Arbórea, One Sixty, Casa Lafer, Ennius Muniz e Valle dos Ipês.
Vazamento de informações e diálogos comprometedores
A investigação aponta que o advogado Felipe Mourão obteve, de forma irregular, cópias de documentos da investigação e enviou o material a Daniel Vorcaro por mensagens de WhatsApp em 24 de junho de 2025. Embora esse envio formal tenha ocorrido após uma mudança no comportamento do banqueiro em relação aos imóveis, a polícia afirma haver indícios de que ele já tinha conhecimento da investigação e havia interrompido os repasses anteriormente.
Em diálogos citados na decisão judicial, Daniel Vorcaro pergunta se Paulo Henrique Costa ainda mantinha "interesse no deal" e ressalta a trajetória de parceria entre ambos. O ex-presidente do BRB responde afirmando seu comprometimento com o acordo: "Estou com vc. Continuo no deal mode. Estou virando noite e tentando resolver".
Crimes investigados e operação policial
Para os investigadores, esses diálogos indicam que o então presidente do BRB atuava dentro do banco em favor de Daniel Vorcaro. As condutas apuradas podem configurar crimes como:
- Corrupção passiva
- Lavagem de dinheiro
- Participação em organização criminosa
- Irregularidades contra o Sistema Financeiro Nacional
A quarta fase da operação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas destinadas a agentes públicos. Os agentes da Polícia Federal cumpriram dois mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão durante a ação.
Contexto institucional e posicionamentos
O Banco de Brasília (BRB) é uma instituição pública controlada pelo governo do Distrito Federal. Ele aparece no caso Master por ter sido o principal interessado na compra do banco de Daniel Vorcaro e por ter realizado operações financeiras que estão sob investigação.
A negociação previa a aquisição de participação relevante no Master e foi apresentada como alternativa para evitar a quebra da instituição. No entanto, o Banco Central vetou a operação ao concluir que não havia viabilidade econômico-financeira e que o negócio poderia transferir riscos excessivos ao banco público.
Além da tentativa de compra, a Polícia Federal apura se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master. O foco é entender se houve falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança das operações.
Em nota oficial, o governo do Distrito Federal afirmou que os fatos envolvendo Paulo Henrique Costa são de competência do Judiciário: "A nova gestão à frente do GDF reafirma seu compromisso com a transparência, o respeito às instituições e a legalidade, e seguirá colaborando com as instâncias competentes".



