MP-MG pede condenação de ex-diretor do Atlético Mineiro por desvio de R$ 4 milhões
O Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG), por meio da 12ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, formalizou um pedido de condenação contra Carlos Antônio Silva Fabel, ex-diretor financeiro do Clube Atlético Mineiro. A acusação é pelo crime de apropriação indébita majorada, previsto no Código Penal para casos em que há desvio de bens confiados.
Denúncia detalha desvios milionários
Segundo a denúncia, o ex-diretor utilizou empresas para desviar aproximadamente R$ 4 milhões dos cofres do clube no período entre 2013 e 2019. O caso ainda aguarda julgamento, mas as alegações finais do processo já foram apresentadas.
Entre as irregularidades apontadas, destacam-se:
- Pagamentos à empresa Consultoria Pontual Ltda. que totalizaram R$ 6.257.893,92, dos quais R$ 3.173.393,92 não tinham respaldo em contratos, aditivos ou prestação de serviços.
- Pagamento de R$ 6.341.974,98 à Art Sports Assessoria Ltda. em um contrato de R$ 5.484.720,00, resultando em um excedente de R$ 857.254,98 sem justificativa.
Pedidos do Ministério Público
O promotor de Justiça Mauro da Fonseca Ellovitch solicitou não apenas a condenação pelo crime de apropriação indébita majorada, mas também:
- A suspensão dos direitos políticos do acusado.
- A reparação integral dos danos causados ao patrimônio do Clube Atlético Mineiro.
Devido à repetição dos repasses irregulares com o mesmo padrão, o MP pediu que a punição seja aumentada até o limite máximo previsto em lei.
Método de desvio e defesa do acusado
O ex-diretor, segundo o MP, aproveitou-se do poder do cargo e das limitações das auditorias internas do clube, que na época verificavam apenas uma parte dos gastos por amostragem. Isso permitiu que os pagamentos às empresas sob seu controle passassem despercebidos.
Testemunhas, incluindo ex-presidentes do clube, relataram que a prática de assinar notas fiscais e ordenar pagamentos diretamente às próprias empresas era totalmente incomum.
Procurada, a defesa de Carlos Fabel, representada pelo advogado Thiago Almeida, optou por não se manifestar à imprensa, informando que somente se manifestará perante o Poder Judiciário, a quem confia uma solução justa.