Ex-deputado Uldurico Júnior é preso por suspeita de facilitar fuga de presos na Bahia
Ex-deputado preso por suspeita de facilitar fuga de presos na BA

Ex-deputado federal é preso por suspeita de negociar fuga de detentos na Bahia

O ex-deputado federal Uldurico Júnior, do PSDB, foi preso nesta quinta-feira (16) sob a acusação de ter negociado a quantia de R$ 2 milhões para facilitar a fuga de 16 detentos no estado da Bahia. A operação policial que resultou na sua detenção ocorreu em um hotel localizado no distrito turístico de Praia do Forte, em Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador.

Trajetória política e familiares no cenário nacional

Uldurico Júnior possui uma história marcante na política brasileira, tendo sido eleito como o deputado federal mais jovem do país em 2014, aos 22 anos de idade. Natural de Brasília, onde sua família residia devido à atuação política de parentes, ele seguiu os passos do pai, do avô materno e de dois tios, todos com passagem pelo cargo de deputado federal. Após se reeleger em 2018, abandonou a função dois anos depois para concorrer à prefeitura de Porto Seguro, sem sucesso.

Posteriormente, tentou novamente ser deputado federal em 2022 e prefeito de Teixeira de Freitas em 2024, mas não obteve vitória em nenhuma das eleições. Foi justamente durante essa última campanha eleitoral que, conforme aponta o Ministério Público da Bahia (MP-BA), o ex-político pode ter estabelecido uma aliança com líderes de facções criminosas da região, visando angariar votos entre detentos, familiares e moradores de áreas controladas por esses grupos.

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Investigações detalham envolvimento com ex-diretora de presídio

As investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) revelam que Uldurico Júnior teria contado com a colaboração de Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, para facilitar os contatos com o crime organizado. Segundo as apurações, Joneuma mantinha um relacionamento amoroso com Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como Dadá, apontado como chefe de um grupo criminoso e um dos fugitivos.

A denúncia do MP-BA especifica que a ex-diretora começou a atuar politicamente em favor da organização criminosa, organizando encontros entre Dadá e Uldurico Júnior. Além disso, Uldurico seria padrinho político de Joneuma e teria indicado seu nome para o cargo de diretora do presídio. Em uma reviravolta pessoal, Joneuma alega que Uldurico é o pai de sua filha, nascida enquanto ela estava presa em 2025, e nega o relacionamento com Dadá, insistindo no reconhecimento da paternidade pelo ex-deputado.

Defesas apresentam versões contraditórias sobre o caso

A defesa de Joneuma Silva Neres afirma que um exame de DNA, atualmente em posse da família, comprovaria o vínculo de paternidade com Uldurico Júnior. Por outro lado, a defesa do ex-deputado, em nota enviada à TV Bahia, declarou que o cumprimento dos mandados de busca e apreensão foi recebido com surpresa, negou qualquer irregularidade e enfatizou que isso será provado ao longo do processo.

Sobre a suposta paternidade, os advogados de Uldurico informaram que não foram notificados sobre o laudo em poder da família da ex-diretora e que já solicitaram a realização de um teste de DNA em um laboratório de confiança do político. A operação da PF, que investiga a possível aliança entre o ex-candidato e chefes de facções criminosas, continua em andamento, com novas informações sendo apuradas pelas autoridades competentes.

Este caso complexo envolve elementos de crime organizado, corrupção e relações pessoais intricadas, destacando os desafios enfrentados pelo sistema de justiça na Bahia. As investigações prosseguem para esclarecer todos os detalhes dessa trama que mistura política e ilegalidades.

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