Ex-assessora de Flávio Bolsonaro é denunciada por lavagem de dinheiro de miliciano
Ex-assessora de Flávio Bolsonaro denunciada por lavagem

Ex-assessora de Flávio Bolsonaro é denunciada por lavagem de dinheiro ligada ao miliciano Adriano da Nóbrega

Uma ex-assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro foi denunciada pelo Ministério Público estadual sob acusação de participar da lavagem de dinheiro do filho, o miliciano Adriano da Nóbrega, morto em 2020 em uma operação policial na Bahia. A denúncia, divulgada nesta quinta-feira (19), aponta que Raimunda Veras Magalhães integrou uma rede de pessoas e empresas usada para receber, movimentar e ocultar valores oriundos do jogo do bicho.

Contexto político e investigações anteriores

Raimunda trabalhou como assessora de Flávio Bolsonaro entre abril de 2016 e novembro de 2018. Ela já havia sido uma das denunciadas no esquema de rachadinha atribuído ao senador pelo MP-RJ durante seu período na Alerj. Esse caso foi arquivado em 2021 após a anulação de provas pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal.

Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência, não quis comentar a nova acusação, alegando não ter tomado conhecimento formal dela. A advogada Manoela Santos, que representa Raimunda, afirmou que ainda não teve acesso aos autos do processo.

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Detalhes da operação de lavagem de dinheiro

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, Adriano da Nóbrega controlava pontos de jogo do bicho em Copacabana em associação com o bicheiro Bernardo Bello. A investigação revelou que quatro empresas movimentaram R$ 8,5 milhões em transações suspeitas.

Entre os empreendimentos de fachada constam um depósito de bebida, um bar e um restaurante. Os investigadores também identificaram um quiosque de serviços de sobrancelha localizado em um shopping na zona norte do Rio, cuja conta registrou, em apenas seis meses, aproximadamente R$ 2 milhões em créditos, valor considerado atípico para o tipo de negócio.

A denúncia destaca ainda uma movimentação financeira irregular numa pizzaria entre 2014 e 2019, que recebeu depósitos de pessoas envolvidas na lavagem de dinheiro do miliciano. Uma empresa de estética também foi apontada como um dos focos da investigação.

Outros envolvidos e denúncias adicionais

O MP-RJ apresentou também denúncia contra o deputado federal Juninho do Pneu (União Brasil-RJ). A Promotoria afirma que ele adquiriu bens de Adriano da Nóbrega após sua morte, avaliados em R$ 3,5 milhões. A acusação sustenta que ele e a viúva do miliciano, Julia Lotuffo, também denunciada, tinham ciência da origem ilegal do imóvel e da irregularidade da transação.

Juninho do Pneu respondeu, em nota, que foi seu pai quem comprou o sítio mencionado na denúncia. O deputado declarou que nunca teve relação com as pessoas citadas e argumentou que a investigação sobre ele deveria ser conduzida pela Procuradoria-Geral da República, devido ao foro especial de deputados federais. A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Julia Lotuffo.

Estrutura criminosa persistente

Ao todo, três denúncias foram oferecidas para tratar da atuação de Adriano da Nóbrega no jogo do bicho, numa rede de matadores de aluguel e na ocultação de seu patrimônio após a morte. A terceira ação penal aborda os integrantes que atuavam sob o comando do miliciano e que continuaram em atividade mesmo após seu falecimento.

As apurações indicam que o grupo criminoso persistiu e sofisticou sua estrutura após a morte de Adriano da Nóbrega. Segundo o Gaeco/MP-RJ, Julia Lotuffo atuava como líder e controlava toda a contabilidade e os ativos da organização criminosa, cujos negócios ilícitos envolviam agiotagem, contravenção e mercado imobiliário irregular.

Este caso reforça as investigações sobre as conexões entre política e crime organizado no Rio de Janeiro, com implicações que podem reverberar no cenário político nacional, especialmente em um ano eleitoral.

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