Operação desmantela esquema de corrupção sistêmica na Polícia Civil de São Paulo
Esquema de corrupção na Polícia Civil de SP é alvo de operação

Operação conjunta combate corrupção sistêmica na Polícia Civil paulista

Nesta quinta-feira (5), o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Polícia Federal deflagraram uma operação de grande porte visando desarticular um esquema de corrupção sistêmica e lavagem de dinheiro que teria se infiltrado em departamentos estratégicos da Polícia Civil do estado. As investigações, conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-SP), revelam práticas criminosas que transformavam delegacias especializadas em espaços de negociação para garantir impunidade.

Mecanismos sofisticados de ocultação de recursos

De acordo com as apurações, o grupo utilizava estabelecimentos comerciais fictícios para registrar vendas inexistentes, convertendo dinheiro em espécie de origem ilegal em créditos de vales-refeição. Essa manobra dificultava significativamente o rastreamento dos recursos ilícitos. Além disso, os investigadores identificaram o emprego de empresas de fachada e a simulação de operações de importação para conferir aparência legal aos valores movimentados.

Extorsão e subversão do dever funcional

Em um dos episódios mais graves citados pela Promotoria, policiais teriam exigido R$ 5 milhões para arquivar um inquérito. O documento judicial descreve ainda casos de corrupção envolvendo o Departamento de Investigações Criminais (Deic) e o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). Em uma situação específica, investigados teriam acessado as dependências do DPPC para substituir um disco rígido apreendido por outro dispositivo sem informações comprometedoras.

Prisões e buscas autorizadas pela Justiça

A Justiça decretou a prisão de 13 investigados e autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão em 41 endereços, incluindo residências particulares, escritórios de advocacia e as sedes das delegacias onde os policiais suspeitos estavam lotados. Entre os locais visados estão o DPPC, o Deic e o 16º Distrito Policial, na Vila Clementino, Zona Sul da capital, onde também foram registrados episódios de extorsão.

Envolvimento de operadores financeiros e agentes públicos

Os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, já investigados na Operação Lava Jato, são apontados como operadores financeiros do esquema. A rede criminosa contava ainda com a atuação de agentes públicos que, segundo o MP-SP, ajudavam a evitar fiscalizações e a encerrar investigações após o pagamento de propina. Pagamentos ilícitos teriam ocorrido até no hangar do Serviço Aerotático da Polícia Civil, no Campo de Marte.

Decisão judicial enfatiza gravidade dos fatos

Ao autorizar as medidas cautelares, o juiz Paulo Fernando Deroma de Mello afirmou que houve uma "subversão ao dever funcional" por parte dos agentes públicos envolvidos. A decisão ressalta que a gravidade dos fatos justifica plenamente a intervenção judicial para interromper as atividades da organização criminosa, restaurando a integridade das instituições policiais afetadas.