CPIs do Banco Master travam no Congresso enquanto eleições se aproximam
Apesar de pedidos e apoio do Supremo Tribunal Federal (STF), as comissões parlamentares de inquérito (CPIs) sobre o escândalo do Banco Master permanecem estagnadas no Congresso Nacional. A proximidade das eleições municipais de 2026 freia o ímpeto dos parlamentares, que agora apostam suas fichas na delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira.
Quatro pedidos de CPI com assinaturas suficientes aguardam instalação
Há pelo menos quatro requerimentos de criação de CPIs no Congresso com assinaturas suficientes de parlamentares para que os colegiados sejam instalados. No Senado, existem dois pedidos: um capitaneado por Eduardo Girão (Novo-CE), da oposição, e outro por Rogério Carvalho (PT-SE), aliado do governo Lula. Na Câmara dos Deputados, há um requerimento de autoria do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), além de uma proposta de CPI mista do deputado Carlos Jordy (PL-RJ).
Reportagem publicada esta semana revela como o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o chefe da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se empenharam para evitar que parlamentares investigassem o caso Master. Eles contaram com apoio de decisões do STF para isso. O ministro Cristiano Zanin já rejeitou um pedido de Rollemberg para obrigar Motta a instalar sua comissão de inquérito.
Mudança no cenário político desde a prisão de Vorcaro
A temperatura política entre defensores de investigações congressuais sobre a maior fraude financeira da história brasileira mudou bastante desde novembro, quando a prisão de Daniel Vorcaro precipitou a enxurrada de pedidos de CPIs. Hoje, a seis meses das eleições, a maioria dos autores dos requerimentos não quer mais se comprometer com o trabalho que dá conduzir um inquérito parlamentar dessa dimensão.
A expectativa de muitos deles recai, agora, sobre o acordo de delação premiada que Vorcaro negocia com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Uma aposta recorrente é que os presidentes do PP, senador Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio de Rueda, cujos laços com o banqueiro vieram à tona detalhadamente em vazamentos de mensagens de seu celular, não escaparão do tsunami político provocado pela colaboração premiada.
Resignação com o enterro das CPIs é mais latente na base governista
A resignação com o enterro das CPIs do Master é mais evidente entre deputados e senadores da base de apoio ao governo Lula. Estes lembram da lição aprendida a duras custas na composição da CPMI do INSS, quando a oposição aproveitou uma cochilada da situação para assumir a presidência e a relatoria do colegiado.
Governistas argumentam que houve um "golpe" e que os adversários descumpriram um acordo político firmado com o beneplácito de Motta e Alcolumbre. Ao fim, o que importa é quem tem o poder de pauta na mão - ou seja, a prerrogativa de definir quais convocações e quebras de sigilo serão votadas. É mais do que meio caminho andado para controlar, também, a narrativa política predominante.
Eleições servem como força de dissuasão para investigações
Trocando em miúdos, a proximidade das eleições serve como força de dissuasão a esses parlamentares que já defenderam a instalação de uma CPI do Master, mas, agora, temem as descobertas que poderiam vir à tona e ser exploradas por rivais nas urnas. O receio abrange desde distorções dos fatos em recortes descontextualizados para as redes sociais até revelações que impliquem pessoas próximas a Lula na fraude de Vorcaro e de seu antigo banco.
Rodrigo Rollemberg resume a situação: "A delação do Vorcaro é o fato mais relevante para esclarecer quem são e o que fizeram todos os envolvidos no escândalo do Banco Master, estejam onde estiverem". Enquanto isso, as CPIs continuam travadas, aguardando movimentos políticos que parecem cada vez mais improváveis à medida que as eleições se aproximam.



