Assessor especial da Alepe é exonerado após ser alvo da Operação Draft
O assessor especial da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Arthur Valença de Luna, foi exonerado do cargo em 15 de abril, mesmo dia em que a Polícia Civil deflagrou a Operação Draft, que investiga um esquema de "rachadinha" e desvios de, pelo menos, R$ 2,8 milhões de recursos públicos. A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado em 17 de abril, mas foi assinada pelo presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), em 16 de abril.
Investigação mira esquema criminoso na Assembleia Legislativa
Antes da exoneração, Arthur Valença de Luna trabalhava no gabinete da deputada estadual Gleide Ângelo (PSB). Em nota enviada à TV Globo, a parlamentar afirmou que o servidor é investigado por fatos ocorridos antes mesmo de ela exercer o mandato de deputada estadual e que não há qualquer relação entre a investigação e seu gabinete.
Gleide Ângelo destacou ainda que:
- Na época dos fatos apurados, o assessor integrava outro gabinete parlamentar;
- Por essa razão, não havia conhecimento sobre qualquer investigação envolvendo o servidor no momento da contratação;
- Tão logo a apuração se tornou conhecida, foram adotadas as medidas cabíveis, sem prejuízo do direito à ampla defesa e ao devido processo legal.
O g1 tentou encontrar o contato da defesa de Arthur Valença de Luna para obter uma resposta sobre a exoneração e a investigação, mas não conseguiu até a última atualização desta reportagem.
Operação Draft apura desvios milionários na Alepe
A Polícia Civil deflagrou a Operação Draft em 15 de abril, investigando um esquema de desvio de recursos públicos na Assembleia Legislativa de Pernambuco. A investigação, iniciada em dezembro de 2023, mira uma quadrilha suspeita de praticar crimes como peculato, concussão e lavagem de dinheiro, causando um prejuízo de, no mínimo, R$ 2,8 milhões.
Além de Arthur Valença de Luna, há outros servidores públicos e dois ex-deputados estaduais entre os alvos da operação. A Polícia Civil não divulgou os nomes dos envolvidos para não atrapalhar o andamento das investigações.
Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão no Recife, em Olinda e em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana. A polícia apreendeu dinheiro em diferentes moedas e barras de prata, além de ter bloqueado bens e contas por determinação da Justiça.
Como funcionava o esquema criminoso
De acordo com a Polícia Civil, o esquema operava da seguinte forma:
- Eram nomeados assessores sem prestação de serviço, com salários entre R$ 6 mil a R$ 18 mil;
- O pagamento mensal desses assessores era, em grande parte, repassado para o grupo criminoso — prática conhecida como “rachadinha”;
- Os "assessores fantasmas" ficavam com apenas R$ 300, devolvendo o restante para os operadores do esquema;
- Há indícios de que os valores desviados eram ocultados por meio de contas de laranjas, com depósitos em valores partidos e operações financeiras simuladas.
Os desvios aconteceram entre 2015 e 2019, período em que o esquema criminoso esteve ativo na Assembleia Legislativa de Pernambuco.



