Alcolumbre mantém votação da CPMI do INSS que quebra sigilo de Lulinha
Alcolumbre mantém votação da CPMI do INSS sobre Lulinha

Presidente do Senado mantém decisão da CPMI do INSS sobre quebra de sigilo de Lulinha

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu manter a votação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS que aprovou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão ocorre após parlamentares da base governista apresentarem um recurso solicitando que a votação fosse desconsiderada, alegando irregularidades no processo.

Recurso governista e análise técnica

No recurso, 14 senadores e deputados argumentaram que a maioria dos membros da comissão teria rejeitado os requerimentos incluídos na pauta, mas o resultado foi proclamado como aprovado pelo presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG). Conforme as regras da votação, os parlamentares favoráveis deveriam permanecer sentados, enquanto os contrários se levantariam. A base governista afirma que Viana proclamou a aprovação no momento em que apenas sete parlamentares estavam de pé, enquanto o recurso sustenta que 14 teriam se manifestado contra.

Davi Alcolumbre solicitou pareceres da Advocacia do Senado e da Secretaria-Geral da Mesa sobre a votação. De acordo com essas análises técnicas, havia 31 parlamentares com presença registrada no momento da deliberação, sendo necessários 16 votos contrários para rejeitar os requerimentos. Ao rejeitar o recurso, Alcolumbre destacou que as decisões nas comissões parlamentares devem ser tomadas por maioria dos votos, com a presença da maioria absoluta dos membros.

Fundamentação da decisão

O presidente do Senado argumentou que, mesmo que o presidente Carlos Viana tenha cometido algum erro na contagem dos parlamentares contrários, o número apresentado pela base governista no recurso não é suficiente para a rejeição. "No caso concreto, sustenta-se que 14 parlamentares teriam se manifestado contrariamente aos requerimentos submetidos à apreciação. Ainda assim, esse número de votos contrários não seria suficiente para a configuração da maioria", afirmou Alcolumbre.

Ele acrescentou: "Esta presidência conclui que a suposta violação das normas regimentais e constitucionais pelo presidente da CPMI não se mostra evidente e inequívoca. Não se faz necessária a intervenção do presidente da Mesa do Congresso Nacional". A decisão reforça a autonomia das comissões parlamentares e a necessidade de clareza nas alegações de irregularidades.

Contexto da votação e investigações

Os integrantes da CPMI do INSS aprovaram no dia 26 de fevereiro as quebras de sigilos bancários e fiscais de Fábio Luís Lula da Silva. O pedido foi solicitado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL), com base em investigações relacionadas à Operação Sem Desconto, que apura um esquema nacional de descontos associativos não autorizados que lesou milhões de aposentados e pensionistas em todo o Brasil.

Lulinha é citado na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) a realizarem, em 18 de dezembro de 2025, uma nova fase da operação. Mensagens extraídas do celular de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e principal operador do esquema criminoso, mencionam o repasse de ao menos R$ 300 mil para "o filho do rapaz" – que, segundo os investigadores, seria uma alusão a Lulinha.

Em nota, a defesa de Lulinha afirmou que o cliente não tem nenhuma relação com as fraudes contra os beneficiários do INSS, não tendo participado de desvios nem recebido quaisquer valores de fontes criminosas. A decisão de Alcolumbre mantém a votação da CPMI, permitindo que as investigações prossigam com base nos requerimentos aprovados.