Pelo menos oito táxis da cooperativa Guarucoop, que opera no Aeroporto Internacional de Guarulhos, foram vandalizados entre a noite de quinta-feira (7) e a manhã desta sexta-feira (8), de acordo com relatos dos motoristas. Os veículos amanheceram com vidros quebrados e danos na lataria; em um deles, uma pedra utilizada no ataque ficou presa ao carro.
Ataques ocorreram após confusão generalizada
Segundo os taxistas, os ataques começaram no fim da noite logo após uma briga generalizada entre motoristas da cooperativa e um suposto "arrastador" clandestino de passageiros, que estaria armado com uma faca. A Guarucoop afirma que esses arrastadores abordam passageiros dentro dos terminais para oferecer transporte irregular.
Um dos motoristas atingidos, Jerônimo Júnior, contou que teve o carro depredado na rua onde mora, no bairro Bela Vista, em Guarulhos. "Parei em casa, cheguei, não fiquei nem 10 minutos em casa direito e já ouvi o barulho do ataque. Vandalizaram o carro provavelmente com objetos. Pararam, quebraram o carro todo e fugiram", afirmou.
Outro ataque na capital paulista
Na manhã desta sexta, outro táxi chegou ao pátio dos veículos que operam no aeroporto com o vidro quebrado e danos na lataria causados por pedras. O taxista Josemir Barbalho relatou que foi atacado quando passava pela Avenida Nove de Julho, no Centro de São Paulo. "Era por volta de uma hora, uma e meia da manhã. Quando eu escutei, foi a porrada de um lado e do outro. Não veio ninguém, não vi nada. Os vidros também estavam fechados", disse.
Apesar dos danos, ninguém ficou ferido. Segundo os taxistas, todos os veículos atingidos estavam sem passageiros no momento dos ataques. A cooperativa acredita que o vandalismo tenha relação com as recentes brigas entre taxistas e os "arrastadores".
Clima de tensão no aeroporto
O diretor da cooperativa, Edmilson Americano, afirmou que há uma "invasão" de falsos motoristas de aplicativo e clandestinos no aeroporto. "Eles se passam por taxistas e motoristas de aplicativos, abordam os passageiros mais desavisados e acabam lesando esse passageiro, roubando passageiro. Isso está causando um clima de tensão aqui no aeroporto, praticamente um clima de guerra", afirmou.
Os ataques ocorreram nos seguintes endereços, segundo os taxistas: Vila Augusta, Guarulhos, 1h20; Bela Vista, Guarulhos, 23h40; Rua Conselheiro Nebias, Centro de SP, 23h50 (pedrada e martelada); Rua Pedro Vicente, perto da Estação Armênia, 23h; Cruzeiro do Sul, no Acesso à Marginal do Tietê, 23h40; Rua Londrina (perto shopping internacional), 23h45; Avenida 9 de Julho x Vale do Anhangabaú, 1h30.
Brigas na quinta-feira
Ainda segundo a cooperativa, duas brigas foram registradas no aeroporto na quinta-feira envolvendo taxistas e integrantes desse grupo. A primeira ocorreu por volta das 11h, na entrada do Terminal 3. Segundo os taxistas, um homem apontado como "arrastador" foi agredido após tentar abordar um passageiro para oferecer transporte irregular. A segunda ocorrência foi registrada por volta das 21h30. Imagens mostram uma discussão entre taxistas e um homem de camiseta preta que aparece segurando um objeto semelhante a uma faca. A confusão terminou em agressão física. De acordo com o boletim de ocorrência, o homem ficou ferido e precisou ser hospitalizado.
Autoridades e fiscalização
O diretor da cooperativa afirmou que a situação já é de conhecimento das autoridades. "A polícia sabe disso, a fiscalização da prefeitura sabe disso e tem que resolver. Isso é caso de polícia. A própria vítima é o passageiro, depois os taxistas e motoristas de aplicativos que seguem as regras", declarou Americano.
Para Jerônimo Júnior, uma fiscalização mais intensa no aeroporto ajudaria a reduzir os conflitos. "Eles ficam chamando todo mundo, dando golpe em cliente do táxi e em cliente do aplicativo também. Acho que uma fiscalização resolveria bem o problema", afirmou. O taxista também relatou medo após os ataques: "É uma sensação de pânico. Você vê na porta da minha casa. Os caras sabem onde as pessoas moram", disse.
Posicionamento das autoridades
A reportagem procurou a Prefeitura de Guarulhos, mas a gestão do prefeito Lucas Sanches (PL) disse apenas que "a Guarda Civil Municipal (GCM) não foi acionada para este caso". A Secretaria da Segurança Pública (SSP) também disse que "não foi localizado registro deste outro caso até o momento".
O Aeroporto de Guarulhos informou que uma equipe médica do terminal fez o primeiro atendimento à vítima. O aeroporto também reforçou que atua de forma intensiva no combate ao transporte clandestino, por meio de alertas sonoros e visuais orientando os usuários a recusarem abordagens espontâneas nas áreas públicas.
Guerra com arrastadores
A polícia solicitou imagens de câmeras de monitoramento do local e aguarda o comparecimento da vítima para a realização de exame de corpo de delito e formalização da representação criminal. O motivo do desentendimento não foi esclarecido. Mas o número de brigas no terminal tem se multiplicado desde quando o Fantástico, da TV Globo, denunciou uma rede de arrastadores que cooptam passageiros no aeroporto para cobrar corridas com valores estratosféricos. Os golpistas multiplicam valor das corridas, ameaçam vítimas e coagem motoristas de aplicativo e taxistas legalizados.



