São Paulo enfrenta uma onda alarmante de estelionatos. Somente em janeiro deste ano, a capital paulista registrou mais de 24 mil casos, uma média de 814 golpes por dia. Em todo o estado, foram mais de 72 mil ocorrências no período, de acordo com dados obtidos pelo SP2 por meio da Lei de Acesso à Informação.
Aumento significativo em relação a 2023
Na comparação com janeiro de 2023, a quantidade de golpes cresceu 15,1% na capital e 28,8% no interior. Os criminosos atuam de diversas formas: nas ruas, por telefone e pela internet.
Golpe da maquininha no Centro
Um dos casos investigados pela polícia envolve Maykon Danilo Perelo Matos, que se passava por ambulante e aplicava o golpe da maquininha em áreas movimentadas do Centro de São Paulo. Segundo a polícia, ele trocava o cartão da vítima por outro semelhante sem que ela percebesse. Com ele, foram apreendidos 251 cartões bancários.
O delegado Percival Alcântara explica que, em alguns casos, os criminosos utilizam máquinas falsas para capturar dados bancários das vítimas. “Em outros casos, ela tem outra máquina, não é uma maquininha verdadeira de cartão, mas ela serve para armazenar os dados do cartão da vítima”, afirmou.
Golpe do falso gerente
Na delegacia do Campo Belo, na Zona Sul, o produtor musical Roberto Bruzadin registrou um boletim de ocorrência após cair em outro tipo de golpe. Criminosos usaram a foto de uma clínica onde sua esposa havia feito exames para ganhar confiança durante uma ligação telefônica. Depois de confirmar o endereço, enviaram um falso entregador até a casa da vítima. Na hora de pagar uma taxa de R$ 9,90, a maquininha apresentou erro. Era golpe.
“Ele falou: ‘Mas você não tem outro cartão?’. Eu falei: ‘Tenho’. Dei o outro cartão. Esse cartão ele pegou, voltou lá pra moto dele com o cartão na mão, eu fiquei dentro da empresa onde eu estava. Ele pegou, subiu na moto e foi embora com meu cartão”, contou Roberto Bruzadin.
Aumento de quadrilhas especializadas
A polícia observa um aumento de quadrilhas que trocaram furtos e roubos pelo crime de estelionato. O uso da tecnologia e de técnicas de análise de perfil das vítimas tem dado aos criminosos acesso a contas bancárias e créditos financeiros. Segundo investigadores, o problema se intensifica em janeiro, período logo após as compras de fim de ano.
O delegado Fulvio Mecca alerta para abordagens por telefone que exigem urgência. “O banco, o advogado, a plataforma de vendas entrou em contato, já desconfie.” “Tudo que exigir... que a pessoa do outro lado da linha, que a gente não conhece, exigir certa urgência da informação, desconfia, é golpe”, afirmou.
Comércio eletrônico: terreno fértil para fraudes
O comércio eletrônico também é apontado como terreno fértil para fraudes. A principal recomendação é desconfiar de ofertas muito abaixo do preço e negociar apenas dentro das plataformas oficiais.
O vice-presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-SP, Enki Pimenta, afirma que sair da plataforma de vendas pode aumentar o risco de golpe. “Esse consumidor deve realizar todas as tratativas dentro da plataforma porque se ele sair da plataforma, ou o vendedor recomendar que eles saiam da plataforma para continuar negociando, é bem provável que eles estejam prestes a cair em um estelionato.”



