Polícia traça perfil detalhado dos roubos de carga na região de Campinas
A Polícia Civil realizou um levantamento minucioso sobre os roubos de carga nas regiões de Campinas e Piracicaba durante o ano de 2025. O estudo, que analisou 234 ocorrências registradas entre janeiro e dezembro, revela padrões alarmantes e dados específicos sobre esse tipo de criminalidade que afeta diretamente o setor logístico e a economia regional.
Valores e produtos mais visados pelos criminosos
De acordo com a investigação, os criminosos demonstram preferência por carregamentos de alto valor monetário. Entre as cargas que tiveram o valor declarado (92 casos), a faixa entre R$ 200 mil e R$ 400 mil foi a mais visada, representando 42 ocorrências, ou seja, 17,9% do total analisado.
Quando se trata dos tipos de produtos roubados, os alimentos lideram com expressivas 52 ocorrências, correspondendo a 22,22% dos casos. Em seguida aparecem:
- Combustíveis: 27 ocorrências (11,54%)
- Produtos metalúrgicos: 19 ocorrências (8,12%)
- Eletroeletrônicos: 15 ocorrências (6,41%)
- Bebidas: 14 ocorrências (5,98%)
Modus operandi: como ocorrem as abordagens
O delegado Oswaldo Diez Junior, diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior de Campinas (Deinter-2), destaca a complexidade do combate a esses crimes devido às diferentes formas de atuação de cada quadrilha. "Não existe uma regra fixa", afirma o delegado, explicando que as abordagens ocorrem em diversas situações.
O levantamento identificou que em 41,9% dos casos, as vítimas foram interceptadas enquanto o veículo estava em movimento. Outros momentos críticos incluem:
- Estacionado para descanso ou refeição: 26,5% dos casos
- Durante entrega da carga: 13,2% dos casos
- Parada para manutenção: 6,4% dos casos
Retenção de motoristas e horários das ocorrências
Um dado preocupante revelado pelo estudo é que em 95% das ocorrências (223 dos 234 casos), os motoristas foram mantidos como reféns pelos criminosos. Essa prática de retenção forçada representa um risco adicional à segurança dos profissionais do transporte.
Quanto à distribuição temporal, os roubos de carga não apresentam preferência por horário específico, ocorrendo de maneira relativamente equilibrada ao longo do dia:
- Madrugada: 69 ocorrências (29,49%)
- Manhã: 62 ocorrências (26,50%)
- Noite: 57 ocorrências (24,36%)
- Tarde: 44 ocorrências (18,80%)
Objetivos variados: da carga ao caminhão
O delegado Diez revela uma nuance importante: nem sempre a carga é o objetivo final do roubo. "Tem casos em que eles levam o caminhão, dispensam a carga e ficam apenas com a carreta. Não é raro acontecer", explica o diretor do Deinter-2. Essa variação nos objetivos criminosos complica ainda mais as estratégias de prevenção.
Outro aspecto destacado pela autoridade policial é a aparente informação privilegiada que algumas quadrilhas possuem sobre as cargas, enquanto outras agem de maneira mais aleatória, às vezes abordando veículos que não transportam o que imaginavam.
Orientações de segurança para motoristas
Diante desse cenário, o delegado Diez oferece orientações específicas para os profissionais do transporte:
- Ter cuidado ao fechar serviços de frete com clientes
- Evitar descansar em locais perigosos ou isolados
- Preferir locais de descanso com vigilância e segurança adequada
- Manter atenção constante durante o trajeto, observando retrovisores
- Comunicar imediatamente qualquer comportamento suspeito às autoridades
"Ficar atento a qualquer movimento e a qualquer ação que eles percebam que saiu fora daquele cotidiano normal", reforça o delegado, destacando que essa vigilância pode inibir ações criminosas e auxiliar no trabalho policial.
O estudo abrangeu ocorrências registradas nas delegacias dos municípios que integram os Departamentos de Polícia Judiciária do Interior de Campinas (Deinter-2) e Piracicaba (Deinter-9), oferecendo um panorama detalhado que servirá como base para estratégias de combate mais eficazes a esse tipo de criminalidade na região.



