Uma operação da Polícia Civil resultou na prisão de cinco suspeitos de integrarem uma organização criminosa especializada em invadir e vender ilegalmente terrenos no bairro Pontal das Garças, em Vila Velha, na Grande Vitória. As investigações apontam que o grupo atuou por anos e movimentou mais de R$ 30 milhões. Entre os detidos está um policial militar da reserva.
Detalhes da operação
A ação foi deflagrada no dia 1º de abril, com prisões preventivas e cumprimento de mandados de busca e apreensão. Foram apreendidos seis veículos, documentos, celulares, R$ 29 mil em espécie e uma pistola 9 mm. Até o momento, 15 vítimas foram identificadas e relataram terem sido ameaçadas pelos criminosos.
Como a quadrilha agia
De acordo com o Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), o grupo vendia terrenos que já possuíam donos para novos compradores, lesando tanto os proprietários originais quanto os segundos. A atividade criminosa se intensificou durante a pandemia de coronavírus, quando os primeiros donos deixaram de frequentar os imóveis.
O delegado Gabriel Monteiro, chefe do Deic, explicou que os proprietários originais eram pessoas de baixa renda que não tinham dinheiro para registrar as escrituras. A organização criminosa, com auxílio de uma cooperativa imobiliária, identificava terrenos vazios, realizava a limpeza e os revendia. “Com isso, essa organização criminosa lucrou mais de R$ 30 milhões”, afirmou.
Papel do policial militar da reserva
O PM da reserva era responsável por intimidar os donos originais que não aceitavam a perda da propriedade. Ele foi flagrado, inclusive fardado, efetuando disparos na região. “Quando o antigo comprador não aceitava a intimidação e lutava pelo seu terreno, ele ia lá e efetuava disparos contra o terreno. Chegou a colocar fogo em um barraquinho”, detalhou o delegado.
Além disso, um advogado de uma das vítimas também foi alvo: seu escritório foi invadido e atingido por disparos de arma de fogo.
Outros integrantes
A organização criminosa contava ainda com: o dono da imobiliária que fazia a intermediação e vendas; o presidente de uma cooperativa, extinta em 2015; um responsável por ocultar o dinheiro; e um líder comunitário da região. Este último repassava informações privilegiadas sobre pessoas que não frequentavam mais os terrenos. A cooperativa extinta emitia certidões de quitação ideologicamente falsas para novos compradores, que conseguiam registrar as escrituras em cartório.
Vítimas e investigações
Segundo a Polícia Civil, não há indícios de participação de servidores cartorários. Os compradores são considerados vítimas, pois agiam de boa-fé. As escrituras obtidas são ideologicamente falsas: documentos verdadeiros, mas com informações falsas. As investigações continuam e mais vítimas podem procurar a polícia.
Tentativa de homicídio
No dia 4 de abril, um pedreiro de 53 anos foi baleado no bairro após denunciar o esquema. O ataque ocorreu em plena luz do dia: um atirador em um carro preto efetuou vários disparos, acertando a vítima no rosto e no peito. O homem sobreviveu.



