Policiais militares suspeitos de extorsão são soltos após decisão do Superior Tribunal de Justiça
Os dois policiais militares de Santa Catarina que estavam presos sob suspeita de cobrar dinheiro para não prender o foragido José Osvaldo Dell'Agnolo, conhecido como 'Lobo do Batel', foram soltos neste sábado (21). A informação foi confirmada pela defesa dos investigados após decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ).
Detenção do foragido e suposta extorsão policial
Conforme a denúncia, os policiais Bruno Israel dos Santos Czerwonka e Milton Prestes dos Santos Junior foram atender uma denúncia sobre o paradeiro de Dell'Agnolo em um hotel de luxo em Itapema, no litoral catarinense, no dia 6 de dezembro. No entanto, eles teriam saído do local com aproximadamente R$ 500 mil e alguns dólares, sem efetuar a prisão do foragido.
Os militares negam qualquer envolvimento em crime. Horas depois, a Polícia Militar foi acionada novamente e, desta vez, prendeu Dell'Agnolo com impressionantes R$ 5 milhões em espécie dentro do mesmo estabelecimento hoteleiro.
Decisão judicial e liberação dos policiais
Bruno Czerwonka foi solto na quarta-feira (18) e Milton Prestes dos Santos Junior deixou a prisão na quinta-feira (19). Embora o STJ não tenha fixado medidas cautelares específicas, o juízo competente determinou que os policiais compareçam a todos os atos do processo e proibiu que se ausentem da comarca por período superior a dez dias.
Na decisão, o Ministro Relator Reynaldo Soares da Fonseca concedeu o habeas corpus requerido pela defesa de Bruno. O magistrado entendeu que a prisão era desproporcional, ressaltando que o réu é primário, não praticou violência e já havia cumprido nove meses de detenção sem sentença condenatória. A mesma decisão foi estendida ao colega Milton.
Esquema financeiro bilionário e mandado de prisão
O mandado de prisão contra José Osvaldo Dell'Agnolo foi expedido pela Justiça Federal de Curitiba no final de 2025. Segundo investigações da Polícia Federal, ele é apontado como chefe de uma organização criminosa que teria movimentado mais de R$ 1 bilhão em esquemas financeiros fraudulentos, causando prejuízos a centenas de vítimas.
Na época da prisão, conforme documentos obtidos pela imprensa, os policiais militares foram ao hotel por volta das 8h da manhã para atender uma denúncia sobre um homem usando nome falso. Eles, porém, teriam encerrado a ocorrência como 'averiguação de pessoa em atitude suspeita' e liberaram o indivíduo.
Relato do foragido e versões contraditórias
Em depoimento, Dell'Agnolo relatou estar dormindo quando os policiais entraram no quarto do hotel e perguntaram 'quanto vale sua liberdade'. Como resposta, ele teria dito R$ 500 mil e separado o dinheiro que estava na mala, entregando ainda outras notas em dólar.
Com essas informações, os policiais foram questionados e não apresentaram versões coerentes sobre os acontecidos. Diante das contradições, os dois foram presos em flagrante pelo suposto crime de extorsão.
Posicionamento da defesa e próximos passos
Guilherme Belens, representante legal do policial militar Bruno Czerwonka, emitiu nota afirmando que recebeu 'com serenidade' a decisão do Ministro Relator do STJ. A defesa sustenta que não há fundamento idôneo ou proporcional para justificar a prisão preventiva no caso e reafirma o compromisso com a inocência de seu cliente.
O processo investigatório continua em andamento, com os policiais agora obrigados a comparecer a todos os atos processuais enquanto aguardam o desfecho final das investigações sobre o suposto esquema de extorsão.



