Policiais Militares são presos no Rio de Janeiro por roubo de celulares em abordagem ilegal
Três integrantes da Polícia Militar do Rio de Janeiro foram presos nesta quinta-feira, acusados de roubar onze celulares de passageiros de um ônibus durante o expediente, enquanto estavam fardados. O crime, que chocou a corporação, ocorreu em maio do ano passado na Região Metropolitana do Rio, revelando um grave desvio de conduta por parte dos agentes públicos.
Detalhes da abordagem criminosa e prisão dos envolvidos
Os acusados são os sargentos Joás Ramos do Nascimento e Denis Willians Neres Alpoim, além do cabo Rogério Vieira Guimarães, todos lotados em uma unidade da PM localizada no Jardim Primavera, em Duque de Caxias. Segundo as investigações conduzidas pelo Ministério Público, o trio parou um ônibus que transportava trinta passageiros, a maioria comerciantes que viajavam de São Paulo rumo a Vitória, no Espírito Santo.
A abordagem aconteceu por volta das duas horas da manhã, próximo a Duque de Caxias, utilizando dois carros de passeio e uma viatura policial. Testemunhas relataram que a sirene do veículo oficial não foi acionada em nenhum momento, indicando uma ação fora dos protocolos estabelecidos. Os policiais vasculharam o bagageiro e as malas dos passageiros sem encontrar nada de irregular, mas, em seguida, revistaram os comerciantes e subtraíram onze celulares que estavam em posse de dois vendedores.
Justificativas falsas e prejuízos significativos para as vítimas
Os PMs alegaram, na ocasião, que o confisco dos aparelhos era necessário porque os dispositivos não possuíam nota fiscal. No entanto, as vítimas solicitaram ir à delegacia para comprovar a origem legal das compras, pedido que foi negado pelos policiais, que simplesmente se retiraram do local. Posteriormente, as notas fiscais foram apresentadas, confirmando a legalidade da aquisição.
Os comerciantes afirmaram, durante a investigação da Corregedoria da Polícia Militar, que os celulares haviam sido adquiridos no Brás, em São Paulo, com a intenção de revenda em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, onde mantêm estabelecimentos comerciais. Um dos lojistas revelou ter sofrido um prejuízo superior a cem mil reais com o ocorrido, impactando diretamente seus negócios e sustento familiar.
Denúncia do Ministério Público e recuperação parcial dos bens
Os três policiais foram denunciados pelo Ministério Público no mês passado pelo crime de roubo qualificado, que prevê penas mais severas devido ao abuso de autoridade. Dos onze celulares roubados, dois foram encontrados em posse de um dos policiais e sua esposa, enquanto os outros nove já foram localizados com diferentes indivíduos, que foram intimados a devolver os aparelhos às vítimas.
O GPS da viatura policial serviu como prova crucial para confirmar a participação dos agentes no crime, rastreando sua presença no local e horário exatos do incidente. Quatro indivíduos que estavam nos carros de passeio utilizados na abordagem ainda não foram identificados pelas autoridades, permanecendo sob investigação.
Novas investigações e modus operandi semelhante
No momento, o Ministério Público investiga outra denúncia de roubo de um ônibus cometido pelo mesmo grupo, com um modus operandi idêntico. Nessa nova ocorrência, os comerciantes teriam sido abordados em Seropédica, também a caminho de Campos dos Goytacazes, sugerindo que os policiais podem ter agido em mais de uma ocasião.
Este caso levanta sérias questões sobre a integridade e a fiscalização dentro da Polícia Militar, destacando a necessidade de medidas rigorosas para prevenir abusos de poder e garantir a segurança dos cidadãos. A prisão dos envolvidos representa um passo importante na busca por justiça e na restauração da confiança pública nas instituições de segurança.



