Piloto da Latam é detido dentro de aeronave no Aeroporto de Congonhas
O piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, foi preso temporariamente na manhã de segunda-feira (9) dentro de um avião no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo. A detenção ocorreu após cerca de três meses de investigações que apontaram sua suposta chefia em uma rede de abuso sexual infantil. A Latam Airlines Brasil confirmou nesta quarta-feira (11) a demissão do profissional, afirmando que ele não faz mais parte do quadro de colaboradores.
Empresa adota política de tolerância zero
Em nota oficial, a companhia aérea declarou: "A companhia adota a política de tolerância zero para ações e atos que desrespeitem os seus valores, ética e código de conduta, permanecendo à disposição das autoridades para colaborar com as investigações". A Latam também informou que abriu apuração interna e repudia veementemente qualquer ação criminosa, reforçando seus elevados padrões de segurança.
Operação 'Apertem os Cintos' desmantela rede criminosa
A operação policial, batizada de 'Apertem os Cintos', investiga crimes como:
- Estupro de vulnerável
- Favorecimento da prostituição
- Exploração sexual de criança e adolescente
Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados na capital paulista e em Guararema, cidade onde o piloto reside. Segundo as autoridades, "as provas colhidas até o momento mostram que os crimes investigados integram uma estrutura organizada de exploração sexual infantil, com indícios de habitualidade, divisão de funções e atuação coordenada entre os envolvidos".
Modus operandi da rede de exploração
De acordo com a delegada Ivalda Aleixo, chefe do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), o piloto inicialmente se aproximava de mães, avós ou responsáveis legais pelas vítimas. "Quando ele tinha contato físico com as crianças, ele as estuprava", afirmou a delegada sobre a gravidade dos crimes.
O esquema criminoso funcionava através de pagamentos via Pix por imagens recebidas pelo WhatsApp, geralmente entre R$ 30 e R$ 100. Em alguns casos, o suspeito comprava medicamentos, pagava aluguel e até adquiriu uma televisão para as famílias das vítimas.
Detenção estratégica no aeroporto
A prisão foi realizada no aeroporto devido à dificuldade de localizar o suspeito em sua residência em Guararema. "Não conseguíamos saber quando ele estava voando ou não. Optamos por pedir a escala para a empresa e identificamos que ele faria um voo hoje", explicou a delegada Ivalda Aleixo.
Quando a equipe policial chegou ao aeroporto por volta das 5h30, o piloto já estava a bordo da aeronave. O voo LA3900 (São Paulo/Congonhas–Rio de Janeiro/Santos Dumont), que seria operado por ele, seguiu normalmente com outro piloto, decolando e pousando no horário previsto.
Outros envolvidos nas investigações
Além do piloto, a avó de três vítimas foi presa temporariamente. Já a mãe de outra criança foi detida em flagrante por armazenamento e compartilhamento de material de exploração sexual infantil. A defesa dos investigados não havia sido localizada até a última atualização das informações.
Escala das vítimas pode ser maior
A Polícia Civil já identificou dez vítimas no estado de São Paulo, mas o número pode ser muito mais elevado. O celular apreendido com o suspeito contém imagens que indicam vítimas de outros estados brasileiros. "Além do consumo pessoal, há fortes indícios de que ele distribuía esse conteúdo para outras pessoas", revelou a delegada Ivalda.
A polícia também investiga com quem o material era compartilhado, ampliando o alcance das investigações sobre essa rede criminosa. Segundo relatos, a esposa do piloto ficou horrorizada ao descobrir os supostos crimes cometidos pelo marido.



