Operação da Polícia Militar em comunidades do Rio termina com oito mortos e caos urbano
Uma intensa operação da Polícia Militar nas comunidades de Santa Teresa, incluindo Morro da Mineira e Fallet Fogueteiro, resultou em um saldo trágico de oito mortos nesta quarta-feira (18). Entre as vítimas estão seis suspeitos, um conhecido chefe do tráfico e um morador local que foi feito refém durante o confronto.
Morador é morto após ser mantido como refém por bandidos
Leandro Silva Souza, residente do Morro dos Prazeres, foi sequestrado dentro de sua própria residência por criminosos que invadiram o local. Segundo o comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Marcelo Corbage, os bandidos utilizaram o casal como escudo humano durante a ação policial.
"Eles invadiram uma residência do senhor Leandro e numa ação covarde colocaram o casal como refém", relatou Corbage. "Quando tentávamos uma negociação, houve um disparo de dentro e ele foi baleado na cabeça. Nossos policiais reagiram e conseguiram resgatar a esposa em estado de choque."
A origem exata do tiro que atingiu Leandro ainda está sob investigação pelas autoridades. A mulher do morador foi liberada com vida pelos agentes do Bope.
Chefe do tráfico com extensa ficha criminal é eliminado
Além dos seis suspeitos mortos dentro da residência invadida, a operação resultou na morte de Claudio Augusto dos Santos, conhecido como Jiló dos Prazeres. O criminoso de 55 anos era apontado como líder do Comando Vermelho na região e possuía uma extensa ficha criminal.
Jiló acumulava 135 passagens pela polícia e tinha pelo menos oito mandados de prisão em aberto por crimes como sequestro, cárcere privado, tráfico de drogas e constrangimento ilegal. O histórico criminal impresso pela PM durante coletiva revelou mais de 100 anotações criminais.
O bandido também estava envolvido na morte do turista italiano Roberto Bardella, ocorrida em dezembro de 2016 no Morro dos Prazeres, quando a vítima e seu primo entraram na comunidade por engano enquanto pilotavam motocicletas.
Criminosos retaliam com queima de ônibus e bloqueio de vias
Em represália à operação policial, criminosos atearam fogo em ônibus e bloquearam acessos importantes no bairro do Rio Comprido, na Região Central do Rio de Janeiro. Pelo menos quatro suspeitos foram presos durante os atos de vandalismo, conforme informou o coronel Menezes.
Um dos veículos incendiados estava na Avenida Paulo de Frontin, principal acesso ao Túnel Rebouças que conecta o Centro à Zona Sul. A via permaneceu interditada por mais de uma hora no sentido Lagoa, causando caos no trânsito da região.
Várias linhas de ônibus tiveram seus itinerários alterados devido aos bloqueios que atingiram ruas como Itapiru (no Catumbi), Barão de Petrópolis, Estrela e a própria Avenida Paulo de Frontin. Criminosos chegaram a retirar chaves de veículos para utilizá-los como barricadas.
Operação mobilizou 151 policiais com apoio de blindados
A ação foi realizada por agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), que ingressaram nas comunidades nas primeiras horas da manhã. Os policiais enfrentaram intensa troca de tiros logo no início da operação.
No total, 151 policiais participaram do confronto, com suporte de 14 viaturas e dois veículos blindados. A operação tem como objetivo cumprir mandados de busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho suspeitos de envolvimento em roubos de veículos e tráfico de drogas na região.
Esta é a segunda operação consecutiva da PM nas comunidades dos Prazeres, Fallet/Fogueteiro, Coroa, Escondidinhos e Paula Ramos. Na terça-feira (17), policiais cumpriram 28 mandados de prisão preventiva contra membros da facção, incluindo Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como Abelha, um dos principais chefes do tráfico que já era foragido da justiça.
Comércio local funcionou parcialmente sob ordens criminosas
Durante a manhã caótica, o comércio no Rio Comprido operou de forma parcial após traficantes ordenarem o fechamento das lojas. O Centro de Operações Rio (COR) registrou interdições intermitentes em diversas vias da região, com bloqueios que se estenderam por várias horas.
A situação permanece tensa nas comunidades afetadas, enquanto a Polícia Militar continua suas investigações sobre os detalhes do confronto que resultou em múltiplas mortes e deixou a população local em estado de alerta máximo.



