A Justiça do Distrito Federal decidiu manter a prisão preventiva de Jozielly Viana Pereira da Silva, acusada de tentar matar o marido com chumbinho enquanto ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Marta, em Taguatinga. O crime ocorreu no dia 21 de abril.
Decisão judicial
A defesa de Jozielly solicitou a revogação da prisão preventiva ou a concessão de prisão domiciliar, argumentando que a acusada é primária, possui residência fixa, está em tratamento oncológico e tem uma filha menor de idade. No entanto, o Ministério Público se opôs ao pedido, alegando que não houve mudança nos fatos e que faltam provas médicas sobre a gravidade da doença.
O juiz João Marcos Guimarães Silva, responsável pela decisão, destacou a gravidade concreta do crime e o risco à ordem pública como motivos para manter a prisão. Segundo o magistrado, não foram apresentados elementos novos que justificassem a soltura da suspeita. Ele enfatizou que a prisão foi decretada para "garantir a ordem pública, já que a suspeita teria tentado matar o companheiro em uma situação de alta vulnerabilidade, dentro da UTI".
O juiz também ressaltou que características como primariedade, bons antecedentes e residência fixa não são suficientes, por si mesmas, para afastar a prisão quando outros requisitos legais estão presentes.
Prisão domiciliar negada
O pedido de prisão domiciliar também foi negado. Em relação ao tratamento de saúde, o magistrado afirmou que a "defesa não apresentou documentos que comprovem a doença nem a impossibilidade de tratamento dentro do sistema prisional". Quanto à filha, a Justiça considerou que ela tem mais de 12 anos, o que não atende aos critérios legais para concessão do benefício.
Confissão do crime
A mulher de 37 anos, presa suspeita de tentar envenenar o companheiro de 61 anos, confessou à Polícia Civil que agiu por "raiva". Em depoimento obtido pelo g1, Jozielly Viana Pereira da Silva afirmou que comprou veneno e o colocou na boca da vítima durante uma visita na UTI. O homem estava internado e entubado devido a uma pneumonia no Hospital Santa Marta, em Taguatinga.
"É mais é raiva que eu estava dele. Cresceu uma raiva dele... Na raiva [pensei] 'eu vou fazer o que você fez comigo, você vai pagar pelo que você fez comigo'", narrou a suspeita. Ela relatou que o companheiro era "agressivo de palavras" e mencionou uma suspeita de tentativa de abuso contra a filha dela, fruto de outro relacionamento.
Jozielly afirmou ter comprado o veneno no mesmo dia e levado a substância em uma sacola até o hospital. Imagens de câmeras de segurança mostram a mulher chegando com a sacola e saindo sem ela. Um vídeo obtido pelo g1 mostra o momento em que policiais encontram resíduos da substância na sacola.
Investigação hospitalar
De acordo com a investigação, a mulher foi a única pessoa a visitar o paciente no dia, por volta das 16h30. Profissionais de saúde encontraram vestígios da substância venenosa durante a higiene do paciente, por volta das 19h40, e acionaram a Polícia Civil.
Segundo um médico ouvido pela polícia, há indícios de que parte do material foi absorvido pelo organismo, o que pode causar alterações respiratórias e cardíacas graves na vítima. Até a última atualização, o homem permanecia internado em estado grave, sob ventilação mecânica, e sendo monitorado pela equipe médica.
A mulher foi autuada em flagrante por tentativa de homicídio, e a prisão foi convertida em preventiva após audiência de custódia.
Posicionamento do hospital
O Hospital Santa Marta informou que, na noite de terça-feira, 21 de abril, identificou uma situação atípica envolvendo um paciente internado na UTI. Durante a assistência, a equipe médica constatou sinais incompatíveis com o quadro de saúde do paciente, o que motivou a adoção imediata dos protocolos de segurança e o acionamento das autoridades competentes.
O hospital destacou que adota protocolos rigorosos de segurança assistencial e institucional, alinhados às diretrizes do Ministério da Saúde e da ANVISA, incluindo monitoramento clínico contínuo e treinamento permanente das equipes. Em respeito à privacidade do paciente, a instituição afirmou que não divulgará dados pessoais ou clínicos, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados e as normas do Conselho Federal de Medicina.
O paciente permanece sob cuidados médicos, recebendo toda a assistência necessária. O caso está sob investigação da 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul).



