Um mês de angústia: buscas por irmãos desaparecidos em Bacabal continuam sem pistas
Completou-se nesta quinta-feira um mês do desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão. As buscas, que mobilizam diversas forças de segurança, seguem intensas, mas até o momento não há nenhuma pista concreta sobre o paradeiro das crianças.
Operação de busca com tecnologia avançada
As equipes do Corpo de Bombeiros do Maranhão, Polícia Civil, Exército Brasileiro e Marinha atuam diariamente em uma operação que combina métodos tradicionais com tecnologia de ponta. Cães farejadores, drones equipados com câmeras termais, helicópteros e sonares têm sido utilizados para vasculhar áreas de mata fechada, rios e terrenos de difícil acesso.
Segundo o coronel Célio Roberto, as condições após 30 dias seriam extremamente desfavoráveis para as crianças, que já estariam exaustas. O fato de não terem sido encontrados vestígios, como roupas ou calçados, é considerado intrigante pelos investigadores.
O último rastro e a separação do grupo
As crianças estavam acompanhadas do primo Anderson Kauan, de 8 anos, quando foram vistas pela última vez na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos. Três dias após o desaparecimento, Kauan foi encontrado por lavradores em uma estrada de terra, a quase quatro quilômetros de casa, mas os dois irmãos já não estavam com ele.
Após receber alta médica e autorização judicial, o menino participou das buscas e ajudou a reconstruir o trajeto. Ele relatou que o grupo saiu para buscar maracujá e, para não serem vistos por um tio, entrou por um caminho alternativo na mata, onde se perderam.
O último rastro confirmado foi em uma cabana abandonada, chamada de "casa caída", localizada a cerca de 3,5 km da comunidade. Cães farejadores detectaram o cheiro das três crianças no local, mas a partir dali o trajeto se divide.
Investigação robusta e comissão especial
A Polícia Civil criou uma comissão especial para investigar o caso, formada por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal. O inquérito já ultrapassa 200 páginas e inclui dezenas de depoimentos, reconstruções de trajetos e análises técnicas.
O delegado-geral adjunto operacional, Ederson Martins, afirmou que a investigação segue em andamento e que ainda não há conclusão. "Já temos 30 dias de investigação, uma investigação bem robusta, com muitas páginas e dezenas de pessoas ouvidas", declarou.
Família vive pesadelo e cobra respostas
A mãe das crianças, Clarice Cardoso, descreve dias de angústia e incerteza. "Eu não desejo pra ninguém essa dor, uma dor insuportável. Cada dia só piora, a gente não tem notícia", disse emocionada. Ela relata que não consegue dormir e sente a ausência dos filhos todas as noites.
A avó das crianças também compartilhou o impacto emocional: "Tá sendo um pesadelo, uma angústia, e não termina, não acaba. A gente sem nenhuma informação de nada".
A família afirma que a polícia tem visitado a comunidade regularmente, mas ainda não apresenta respostas concretas. "Eles só falam que estão nas buscas", relatou Clarice.
Protocolo Amber Alert ativado
O caso ganhou proporções nacionais com a ativação do protocolo Amber Alert, sistema internacional de alerta para desaparecimento de crianças. O mecanismo, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulga informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento através de plataformas como Facebook e Instagram.
O alerta é acionado excepcionalmente quando há indícios de que a criança ou adolescente esteja em risco de morte ou lesão corporal grave.
Números da operação
- Mais de 1.000 pessoas envolvidas nas buscas, incluindo agentes estaduais, federais e voluntários
- 200 quilômetros percorridos em operações por terra e água nos primeiros 20 dias
- 19 quilômetros do rio Mearim vasculhados pela Marinha, sendo 5 km minuciosamente
- Uso de drones com câmeras termais e side scan sonar para varredura subaquática
- Duas aeronaves do Centro Tático Aéreo deslocadas para a região
As buscas continuam concentradas na base instalada no quilombo São Sebastião dos Pretos, onde as crianças moravam. A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão mantém as equipes em prontidão para retomar as buscas em locais específicos caso novos indícios surjam, enquanto a família aguarda, com esperança diminuída a cada dia que passa, por qualquer notícia que possa aliviar seu sofrimento.



