Um novo tipo de golpe tem sido registrado dentro de ônibus na cidade de São Paulo, conforme relatos publicados nas redes sociais. As vítimas denunciam que criminosos simulam uma situação de vômito, utilizando uma substância pastosa para distrair os passageiros e, assim, facilitar o furto de pertences, principalmente celulares e documentos.
Relatos das vítimas
O criador de conteúdo Guilherme Giaretta, de 23 anos, foi uma das vítimas. Ele contou que voltava do trabalho, sentado no ônibus, quando um homem o alertou sobre sujeira em suas costas. “Ele aponta para as minhas costas e estava cheio de alguma coisa igual vômito, escorrendo no banco que eu estava sentado e estava sujando toda a minha camiseta. Fiquei desesperado, porque não tinha aquilo quando eu sentei lá. Eu não vi acontecer nada, ninguém vomitando ali”, relatou.
Segundo Giaretta, os suspeitos falavam em espanhol e agiram rapidamente. Enquanto ele se preocupava em limpar a roupa, teve o celular e documentos furtados. O crime só foi percebido após os homens descerem no ponto seguinte. “Não tinha cheiro de vômito. Depois que tudo passou, percebi que aquilo era para me distrair”, afirmou.
Outro caso semelhante foi registrado pela influenciadora digital Miriam Almeida, de 31 anos. Ela estava em um ônibus na Avenida Sapopemba, na Zona Leste, quando foi abordada por um homem que também falava espanhol. “Quando eu olhei, parecia uma gosma, tipo vômito, meio amarelo. Eu me desesperei e comecei a limpar. Eu estava com o celular na mão”, disse. Em segundos, o celular foi furtado.
Como funciona o golpe
O modus operandi é semelhante em ambos os casos: um suspeito alerta sobre uma suposta sujeira na roupa da vítima; a vítima se desespera e tenta limpar; comparsas se aproximam, simulando ajuda; durante a confusão, objetos pessoais são furtados; e o grupo desce rapidamente no ponto seguinte.
Investigação da SSP
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que foram localizadas duas ocorrências de furto de celular em transporte público, registradas nos dias 22 e 25 de abril, com características semelhantes. Os casos são investigados pelo 78º Distrito Policial (Jardins) e pelo 28º Distrito Policial (Freguesia do Ó). Equipes analisam os elementos e realizam diligências para identificar e prender os envolvidos.
A SSP orienta que, ao desconfiar de atitude suspeita, as vítimas acionem a Polícia Militar pelo 190, informando o máximo de detalhes. É fundamental registrar boletim de ocorrência para que o caso seja investigado.
Contexto de roubos de celular em SP
Na cidade de São Paulo, um roubo de celular é registrado a cada dez minutos. Dados da SSP mostram que os roubos de celulares caíram 20% nos dois primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, de 10.587 para 8.430 ocorrências. Ainda assim, foram registrados 8.430 roubos em janeiro e fevereiro, uma média de 142,9 por dia.
O coordenador do programa SP Mobile, Rodolfo Latif Sebba, afirma que a redução é resultado de várias ações, incluindo o envio de mensagens para celulares com registro de roubo. “A pessoa pode receber uma mensagem para comparecer em uma delegacia, para entregar esse telefone. Caso ela não compareça, uma unidade policial vai fazer diligência até a residência dela para tentar recuperar esse telefone também”, disse.
A SSP informou que vai reforçar o policiamento no Centro Histórico e orientou as vítimas a registrarem boletim de ocorrência para auxiliar nas investigações e no direcionamento de equipes para áreas com maior incidência.



