Familiares de baianos mortos em João Pessoa chegam para liberação dos corpos
Familiares de baianos mortos em João Pessoa chegam ao IML

Familiares de baianos mortos em João Pessoa chegam para liberação dos corpos

A mãe e a esposa de um dos quatro trabalhadores baianos encontrados mortos em João Pessoa relataram, neste sábado (4), os últimos contatos com a vítima e detalhes da viagem para a Paraíba. O grupo havia desaparecido dias antes e foi localizado em uma área de mata no bairro de Brisamar, na sexta-feira (3), com indícios claros de execução, segundo investigações preliminares.

Declarações emocionadas no Instituto Médico Legal

As declarações foram dadas à TV Cabo Branco durante a chegada ao Instituto Médico Legal (IML) em João Pessoa, onde familiares aguardavam ansiosamente a liberação dos corpos. Samara Gonçalves e Lavínia de Souza, mãe e esposa de Gismário Santos, de 23 anos, afirmaram que o jovem havia se mudado recentemente para o estado a trabalho, em uma decisão repentina que gerou preocupação.

Segundo a mãe, Samara, ele já chegou empregado, acompanhando uma empresa do setor de construção civil. O trajeto incluiu saídas de Morro do Chapéu, na Bahia, passagem por Brumado e, posteriormente, transferência para a Paraíba, onde estava há cerca de 10 dias. “Ele já veio empregado, acompanhando a empresa. De Morro do Chapéu foi para Brumado e de lá deslocaram para cá”, disse ela, destacando que a família não conhecia a maioria das pessoas com quem o trabalhador dividia moradia no estado.

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Preocupação e último contato antes do desaparecimento

A esposa, Lavínia de Souza, relatou que a viagem foi definida de forma abrupta, poucos dias antes da ida para a Paraíba. De acordo com ela, o marido demonstrou apreensão por não conhecer a região. “Ele só soube na sexta-feira à noite que viria para a Paraíba, mas nem sabia qual cidade. Ele ficou cismado, porque não conhecia ninguém aqui”, contou Lavínia, acrescentando que Gismário trabalhava na empresa desde outubro do ano passado e, apesar de ter cogitado não viajar, decidiu seguir com a equipe.

Ela também descreveu o último contato com o marido, na noite da terça-feira (31), pouco antes do desaparecimento. Segundo a esposa, a conversa foi tranquila e não indicava qualquer situação de risco. “A gente conversou normal. Ele disse que ia jantar e depois me respondia. Mandou um áudio tranquilo”, afirmou. Após isso, Gismário não respondeu mais às mensagens, e as ligações feitas passaram a ser recusadas, o que inicialmente levou a família a suspeitar de um problema no aparelho celular. “Achei que era o aparelho, mas depois veio a pior notícia das nossas vidas”, lamentou.

Detalhes do caso e investigação em andamento

Os corpos das quatro vítimas já foram liberados do Instituto Médico Legal (IML) em João Pessoa, e o corpo de Gismário será velado e sepultado na Bahia, assim como o de Sidclei. Ainda não há informações sobre o translado dos corpos de Cleibson Jaques e Lucas Bispo, o que aumenta a angústia dos familiares.

Quatro corpos foram encontrados em uma área de mata no bairro de Brisamar, em João Pessoa, na madrugada de sexta-feira (3). A perícia inicial indica que as vítimas foram mortas há cerca de dois dias, por disparos de arma de fogo, com três delas apresentando as mãos amarradas para trás. Devido ao avançado estado de decomposição, não foi possível identificar visualmente as vítimas, exigindo exames cadavéricos para confirmação das identidades.

Segundo a Polícia Civil, moradores da região denunciaram um carro abandonado, que apresentava sinais de sujeira e forte odor. Equipes iniciaram buscas nas proximidades e encontraram os corpos em uma área de mata dentro de uma granja. Uma câmera de segurança registrou o momento em que quatro suspeitos fugiram em uma moto, depois de abandonarem os corpos. Moradores relataram ouvir barulho de buzina e gritos na madrugada.

Contexto do desaparecimento e perfil das vítimas

A Polícia Civil da Paraíba já investigava o desaparecimento dos quatro trabalhadores da construção civil, naturais da Bahia, que estavam hospedados em uma casa de apoio em Bayeux, na Grande João Pessoa. O caso foi registrado no início da manhã de quinta-feira (2), mas os trabalhadores estavam desaparecidos desde a terça-feira (31).

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Os desaparecidos são identificados como: Cleibson Jaques, 31 anos, e Lucas Bispo (idade não revelada), de Campo Formoso; Sidclei Silva, 21 anos, e Gismário Santos, 23 anos, de Morro do Chapéu. As cidades ficam próximas à Chapada Diamantina, no Norte da Bahia. De acordo com informações iniciais, os homens estavam há cerca de dois meses trabalhando em uma obra e residiam no imóvel destinado a trabalhadores da construção civil.

Na madrugada da quarta-feira (1º), o veículo responsável por transportá-los até o local de trabalho chegou ao endereço, mas nenhum deles foi encontrado. Ao entrar na residência, o motorista percebeu que o local estava revirado, com sinais de desordem, o que levantou suspeitas e levou ao acionamento da polícia. A esposa de uma das vítimas relatou em entrevista que falava com o marido por chamada de vídeo momentos antes do desaparecimento, quando a ligação foi interrompida abruptamente, com ela ouvindo vozes e gritos.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que busca esclarecer os motivos e autores deste crime brutal, enquanto as famílias enfrentam o luto e a busca por justiça.