Criminosos montam barricadas na BR-135 para saquear carretas com grãos em São Luís
Motoristas que trafegam pela BR-135, na Vila Maranhão, em São Luís, estão enfrentando uma situação de medo e prejuízo na principal rota de acesso ao Porto do Itaqui. Eles denunciam que bandidos têm realizado barricadas para saquear cargas de grãos, incluindo soja, milho e fertilizantes, aproveitando a escuridão noturna que facilita a ação criminosa.
Modus operandi dos criminosos
As barricadas são entrincheiramentos feitos com barricas cheias de materiais diversos, utilizadas para interditar o acesso da rodovia. O ataque mais recente foi registrado em vídeo na segunda-feira (16), quando criminosos montaram barreiras e abriram as tampas de uma carreta. De acordo com o registro, pneus foram usados como obstáculos e retirados após a ação criminosa.
As investigações indicam que a ação dos criminosos ocorre na parte traseira dos veículos. O comprimento das carretas, que pode chegar a 30 metros, dificulta que os motoristas dentro da cabine percebam o crime em andamento. Relatos sugerem que, quando a carga, especialmente a soja, é despejada no chão, a poeira que se levanta pode servir como um sinal de saque.
Relatos dos motoristas
Segundo o motorista Julianderson Vasconcelos, um dos pontos mais temidos está localizado após o posto Vale, no caminho do Porto do Itaqui. "O ponto que os motoristas mais temem é que, após o posto Vale aqui, do começo, quando você sai daquele viaduto ali, até chegar no porto lá, os caminhoneiros são todos assombrados", afirmou Julianderson.
O caminhoneiro Edimar Leite Silva destacou que a infraestrutura precária da estrada e os buracos prejudicam os profissionais, obrigando-os a reduzir a velocidade, o que facilita a ação criminosa. "Pela infraestrutura da estrada precária, buracos, que a gente tem que andar em velocidade reduzida, a gente acaba tendo essa infelicidade de as pessoas virem saquear, porque é usado pra roubo, pra venda, né?" explicou Edimar.
Prejuízos para as transportadoras
A gerente comercial Nazaré Madeira afirmou que 2024 foi o ano em que a empresa em que trabalha sofreu mais prejuízos com roubos de carga, atingindo cerca de R$ 200 mil. "O ano de 2024 foi o ano que nós mais tivemos prejuízo. Em percentuais, em relação ao nosso movimento, não é tão grande. Mas é um prejuízo, porque é um dinheiro que sai. Foi avaliado na ocasião mais de 200 mil reais, só desse tipo de roubo", disse Nazaré.
Diante do aumento dos casos no fim de 2025 e início de 2026, transportadores procuraram autoridades como a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Civil do Maranhão (PC-MA). Eles realizaram uma reunião com a participação da categoria para apresentar o modo de atuação dos criminosos e discutir medidas conjuntas para inibir e coibir essa prática.
Posicionamento das autoridades
A Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) informou que está intensificando os trabalhos investigativos com o objetivo de identificar e prender os autores de roubos e furtos de cargas de grãos e fertilizantes na região. A Polícia Militar do Maranhão (PM-MA) afirmou que realiza policiamento ostensivo contínuo na BR-135, no trecho da Vila Maranhão, incluindo a área de acesso ao Porto do Itaqui, e que está intensificando as ações no local.
Até a última atualização, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) não haviam se pronunciado sobre o caso. A PRF, que colaborou com as transportadoras, ainda não havia respondido à produção no momento da publicação da matéria.
O crime afeta tanto os carreteiros quanto as transportadoras, que sofrem prejuízos significativos com o custo da carga perdida, criando um clima de insegurança em uma das principais vias de escoamento de produtos no Maranhão.



