A Justiça de Goiás absolveu o major da Polícia Militar Augusto Sampaio de Oliveira Neto, acusado de agredir o estudante Mateus Ferreira da Silva durante um protesto em abril de 2017. A decisão, divulgada nesta quinta-feira (30), reconheceu que o militar agiu para conter uma grave perturbação da ordem pública.
O caso
O incidente ocorreu no Centro de Goiânia, quando Mateus participava de uma manifestação contra as reformas trabalhistas e previdenciárias. O major, na época capitão, atingiu o estudante com um cassetete, causando lesões graves que resultaram em 18 dias de internação hospitalar.
Argumentos da Justiça
De acordo com a sentença, o oficial atuou sob o "estrito cumprimento do dever legal" para restabelecer a ordem pública. O excesso cometido foi considerado fruto de circunstâncias alheias à sua vontade. Embora o uso da força tenha causado lesão grave, a Justiça entendeu que não houve intenção direta de atingir o rosto do estudante.
Reações e desdobramentos
A acusação argumentou que a cicatriz, o uso de prótese craniana e a perda do olfato deveriam elevar o caso para "lesão gravíssima". No entanto, a Justiça descartou essa possibilidade, citando que os relatórios médicos não comprovam perda definitiva das funções nem incapacidade permanente para o trabalho. Com a exclusão do caráter criminoso, o major foi absolvido das acusações de lesão corporal, encerrando o processo na esfera criminal.
Relembre o caso
Mateus foi agredido em 28 de abril de 2017. Após ser atingido, foi socorrido por outros manifestantes e internado no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) por 18 dias, dos quais 11 passou na UTI. O estudante passou por duas cirurgias: a primeira para retirar fragmentos ósseos e a segunda para reconstruir a área afetada na testa. Ele também relatou limitação no olfato e falha no lado esquerdo da visão.
Uma sequência de fotos registrou o momento da agressão, mostrando o cassetete quebrando no rosto do estudante. A sentença detalhou que Mateus sofreu traumatismo craniano e múltiplas fraturas nos ossos da face.
O g1 tentou contato com Mateus Ferreira, mas não obteve retorno. A defesa do militar não foi localizada. A reportagem também solicitou nota à PM sobre a absolvição, mas não houve resposta até a última atualização.



