Confrontos de torcidas em Fortaleza resultam em suspensão de quatro organizadas por cinco jogos
O Ministério Público do Ceará, através do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor), determinou nesta terça-feira (10) a suspensão de quatro torcidas organizadas por cinco partidas, como resposta aos episódios de violência registrados em diversos bairros de Fortaleza. Os incidentes ocorreram no último domingo (8), horas antes do clássico entre Ceará e Fortaleza pelo Campeonato Cearense 2026, envolvendo mais de 350 pessoas que foram capturadas pelas autoridades.
Detalhes dos confrontos e apreensões
Durante os confrontos, que se espalharam por vários pontos da capital cearense, a polícia apreendeu uma série de objetos perigosos, incluindo paus, pedras, rojões, socos-ingleses e artefatos explosivos. A medida punitiva foi aplicada às seguintes torcidas organizadas: Torcida Organizada do Ceará (TOC), Movimento Organizado Força Independente (MOFI), Bonde da Aliança e Força da Galera. O Ministério Público comunicou a decisão à Federação Cearense de Futebol (FCF), aos clubes Fortaleza e Ceará, às próprias torcidas, à Polícia Militar e ao Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol do Ceará (TJDF-CE).
Em nota oficial, o órgão destacou que "a medida tem caráter preventivo e educativo", com o objetivo de coibir novas ocorrências de violência e reforçar a segurança nos eventos esportivos. Durante o período de suspensão, serão mantidas restrições como a proibição do uso de materiais e instrumentos musicais nos setores habitualmente ocupados pelos grupos. O Ministério Público alertou ainda que a reincidência em condutas violentas poderá resultar em sanções mais rigorosas, incluindo o banimento dos estádios por tempo indeterminado.
Prisões e medidas judiciais após os confrontos
Os mais de 350 indivíduos presos durante os confrontos passaram por audiências realizadas entre segunda (9) e terça-feira (10). Como resultado, 231 adultos tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça, enquanto outros 15 foram liberados, dos quais 12 estão sob medidas cautelares. No caso dos adolescentes apreendidos, o Tribunal de Justiça informou que, dos 113 detidos, 97 foram liberados ainda na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), e 16 foram apresentados à 5ª Vara da Infância e Juventude da Comarca de Fortaleza.
Desses 16 levados à Justiça, 12 tiveram aplicada a medida socioeducativa de liberdade assistida, três tiveram a liberdade decretada e um teve a internação provisória aplicada. Essas ações refletem a gravidade dos incidentes e o compromisso das autoridades em lidar com a violência associada ao futebol.
Investigação sobre ordens de facção criminosa e renúncias de líderes
Paralelamente, o Ministério Público está investigando ameaças atribuídas a uma facção criminosa que teria proibido brigas entre torcedores do Ceará e Fortaleza. Após a circulação de mensagens com essas ordens, os presidentes de duas das maiores torcidas organizadas dos clubes cearenses gravaram vídeos renunciando aos cargos. Weslley Paulo, conhecido como Dudu, e Anderson Xiboi afirmaram não serem mais líderes da Torcida Organizada Cearamor (TOC) e Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), respectivamente.
No entanto, ainda não há confirmação se as saídas foram diretamente causadas pelas mensagens da facção. Nas comunicações que circulam nas redes sociais, o grupo criminoso teria alegado que os conflitos "trazem problemas para a organização e sistema para dentro da quebrada", em referência à presença policial acionada durante as brigas. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informou, em nota, que a Polícia Civil apura todas as informações de ações criminosas, com apoio de setores de Inteligência das Forças de Segurança do Estado.
Este caso destaca os desafios contínuos de segurança e ordem pública em eventos esportivos, especialmente em clássicos de alta rivalidade como o entre Ceará e Fortaleza, reforçando a necessidade de medidas preventivas e educativas para garantir a segurança dos torcedores e da comunidade em geral.



