Justiça do Acre mantém réu foragido da Chacina do Taquari para julgamento pelo Tribunal do Júri
A Justiça do Acre negou um recurso da defesa e manteve Ronivaldo da Silva Gomes, de 33 anos, como réu para julgamento pelo Tribunal do Júri. O acusado, apontado como um dos envolvidos na Chacina no bairro Taquari, em Rio Branco, em novembro de 2023, está foragido e teve seu nome incluído na lista vermelha dos mais procurados do Brasil. Não há data definida para o julgamento.
Decisão judicial e alegações da defesa
De acordo com a decisão, publicada na última quarta-feira (15) pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), os desembargadores entenderam que há indícios suficientes da participação de Ronivaldo no crime. Em contrapartida, a defesa alegava falta de provas para sustentar a acusação.
Contexto da chacina e detalhes do crime
Cinco pessoas foram mortas no dia 3 de novembro de 2023 em uma residência na Rua Morada do Sol, no bairro Taquari. A Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) falou na época que os assassinatos haviam sido motivados pela guerra de facções, que disputavam território na capital. As vítimas foram:
- Valdei das Graças Batista dos Santos
- Adegilson Ferreira da Silva
- Luan dos Santos de Oliveira
- Sebastião Ytalo Nascimento de Carvalho
- Tailan Dias da Silva
Segundo as investigações, Ronivaldo teria ajudado a atrair as vítimas até o local do crime. Testemunhas também relataram que ele manteve contato com uma das pessoas mortas pouco antes da chacina.
Evidências e histórico criminal
O processo aponta ainda que o suspeito estava na cena no momento dos disparos. Conforme os dados de monitoramento, Ronivaldo usava uma tornozeleira eletrônica que registrou a sua presença no lugar. Contudo, o equipamento foi rompido durante o ataque. Além disso, a prisão preventiva de Ronivaldo foi decretada em novembro de 2025. No sistema judiciário, o último mandado em aberto consta de 8 de maio de 2024, com condenações por roubo que ultrapassam os 30 anos.
Outros envolvidos no caso
Em dezembro de 2025, a Câmara Criminal do TJ-AC já havia negado o recurso de Wellington Costa Batista, apontado como mandante da chacina, e manteve a decisão que o levou a júri popular. Mais recentemente, em 12 de março deste ano, a Justiça decidiu que outros quatro acusados também devem ser julgados:
- Davidesson da Silva Oliveira
- Denilson Araújo da Silva
- Tony da Costa Matos
- José Weverton Nascimento da Rosa
Na decisão, o juiz apontou que há indícios de autoria e materialidade do crime, o que permite o envio do caso ao júri popular. Os quatro vão responder por homicídio qualificado, quando há agravantes, como motivo torpe ou dificuldade de defesa das vítimas, além de participação em organização criminosa.
Detalhes da noite do crime
Na noite do crime, a polícia foi acionada por meio do Centro de Operações Policiais Militares (Copom). Ao chegar no bairro, ninguém quis falar, mas os agentes viram um jovem de 18 anos sendo atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), após ser atingido a tiros. O coordenador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Alcino Júnior, também confirmou que uma das vítimas era parente de um dos presos mortos na rebelião que aconteceu no presídio de Segurança Máxima Antônio Amaro em julho de 2023.
Andamento processual
Em janeiro de 2024, mais de dois meses após a chacina, a Justiça do Acre aceitou denúncia contra os seis suspeitos apontados como responsáveis pela ação. Pouco mais de 11 meses após o crime, quatro acusados foram ouvidos durante audiência de instrução em janeiro do ano passado. O caso continua em tramitação, com os acusados aguardando a definição de data para o julgamento pelo Tribunal do Júri, enquanto as autoridades buscam capturar Ronivaldo, que permanece foragido.



