Quadrilha de 'surfistas de trens' causa prejuízo de R$ 13 milhões com furto de açúcar e soja em Aguaí (SP)
Quadrilha de 'surfistas de trens' causa prejuízo de R$ 13 milhões

Quadrilha especializada em furto de commodities causa prejuízo milionário em ferrovias paulistas

A Polícia Civil de São Paulo desarticulou nesta terça-feira (17) uma organização criminosa conhecida como "surfistas de trens", responsável por furtos sistemáticos de cargas de açúcar e soja em ferrovias do interior paulista. A operação, batizada de Ouro Branco, resultou na prisão de quatro pessoas e na apreensão de veículos, armas e materiais utilizados nos crimes.

Esquema milionário com prejuízo de R$ 13 milhões

Conforme investigações da Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar) do Departamento de Investigações Criminais (Deic), a quadrilha causou um prejuízo estimado em R$ 13 milhões em apenas dois anos de atuação. Os produtos furtados pertencem à concessionária Ferrovia Centro-Atlântica S.A. (FCA/VLI) e eram transportados do interior paulista com destino ao Porto de Santos para exportação.

"A prisão dessa quadrilha foi importante também para a preservação tanto da população local quanto de outras localidades, uma vez que a gente não sabe qual é o destino que é dado para esse açúcar subtraído", afirmou o delegado Danilo Alexíades, responsável pela operação. "Se ele é vendido para a produção de manta asfáltica ou se ele é vendido para o consumo humano, o que gera muita preocupação", completou.

Modus operandi sofisticado em quatro frentes

De acordo com as investigações, a organização criminosa era estruturada em quatro frentes de atuação bem definidas:

  1. Equipe de vandalismo: Integrantes com conhecimento técnico que atuavam diretamente na ferrovia, sabotando trens ao cortar mangueiras de ar para forçar paradas, romper lacres e abrir vagões.
  2. Coletores: Responsáveis por recolher o açúcar despejado na linha férrea, ensacar rapidamente o produto e levá-lo para áreas de mata.
  3. Logística e ocultação: Intermediários que pagavam entre R$ 10 e R$ 15 por pessoa envolvida na coleta e transportavam o material em veículos como vans e kombis.
  4. Receptadores: Operavam galpões onde o açúcar era limpo, reensacado e inserido novamente no mercado com notas fiscais fraudulentas.

Operação resulta em prisões e apreensões

A Operação Ouro Branco mobilizou 29 policiais e resultou na prisão de quatro pessoas. Três foram presas temporariamente durante a ação, enquanto uma quarta pessoa foi presa em flagrante pela posse de três carabinas calibre 32. Durante as diligências, os agentes apreenderam:

  • Três carros
  • Um caminhão
  • Uma moto
  • Sacos utilizados no transporte da carga furtada
  • Dois simulacros de arma
  • Outros materiais ligados à atuação do bando

No galpão onde era feita a refinaria, os policiais encontraram aproximadamente 15 toneladas de açúcar subtraído da linha férrea. Os suspeitos estão sendo indiciados pelo crime de associação e furto de carga.

Impactos logísticos e econômicos significativos

Além das perdas financeiras diretas, a ação da quadrilha provocava impactos logísticos consideráveis. A indisponibilidade de produtos considerados críticos no principal porto do país gerava gargalos no comércio internacional, afetando toda a cadeia de exportação de commodities.

O delegado Danilo Alexíades explicou que o nome da operação faz referência ao alto valor e à facilidade de escoamento dos produtos furtados. "O açúcar, por exemplo, é uma mercadoria que, assim que subtraída, já tem comprador certo. Por isso, a alusão ao 'ouro branco', pela liquidez e rápida inserção no mercado", destacou.

Empresa reforça medidas de segurança

Em nota, a VLT informou que mantém equipes de segurança patrimonial realizando rondas constantes e monitorando os ativos da companhia em tempo integral. Na região dos furtos, a empresa conta com equipes de vigilância 24 horas e trens equipados com sistemas de segurança avançados.

A companhia afirmou ainda que mantém contato constante com as autoridades de segurança pública por meio de reuniões e comitês especiais com objetivo de mapear soluções para tais ocorrências. As investigações continuam para identificar outros envolvidos no esquema criminoso que atuava na rota de escoamento do interior paulista até o Porto de Santos.