PF desarticula esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado a funkeiros e influenciadores
PF desarticula esquema de lavagem bilionário com funkeiros

Operação Narco Fluxo desmonta organização criminosa que movimentava bilhões

A Polícia Federal deflagrou na quarta-feira, 15 de maio, a Operação Narco Fluxo, um amplo esquema de combate ao crime organizado que resultou na prisão de celebridades do funk e influenciadores digitais. A ação tem como objetivo desarticular uma sofisticada organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro, com valores que ultrapassam a marca de R$ 1,6 bilhão provenientes de atividades ilícitas.

Alvos de alto perfil e patrimônio de luxo apreendido

Entre os presos temporariamente estão os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além dos influenciadores Chrys Dias e Raphael Sousa, conhecido por administrar a página Choquei. A operação permitiu o confisco de um impressionante patrimônio de luxo que servia para ocultar a origem ilícita dos recursos. A PF divulgou o balanço consolidado dos bens apreendidos:

  • 55 carros de luxo e motocicletas, avaliados em mais de R$ 20 milhões
  • 120 armas e munições de diversos calibres
  • 56 itens de joias e relógios, incluindo modelos exclusivos da marca Rolex
  • 53 celulares de última geração
  • 56 mídias eletrônicas, como computadores, tablets e notebooks
  • R$ 300 mil em espécie
  • US$ 7,3 mil em moeda estrangeira, equivalente a aproximadamente R$ 36 mil
  • Documentos e registros financeiros que comprovam as transações ilícitas

Itens emblemáticos e detalhes das apreensões

Entre os objetos de maior destaque apreendidos estão uma Mercedes-Benz G63 na cor rosa avaliada em R$ 2 milhões e uma réplica fiel de um carro de Fórmula 1 da McLaren, encontradas na mansão de Chrys Dias. Na residência de MC Ryan SP, os agentes federais localizaram um colar de ouro maciço com a imagem do narcotraficante Pablo Escobar emoldurada pelo mapa de São Paulo, simbolizando a conexão com o tráfico internacional.

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Escopo nacional da operação policial

A ofensiva da Polícia Federal representa um desdobramento das operações Narco Vela e Narco Bet, realizadas entre 2023 e 2024, que já investigavam a exportação de drogas e o uso de apostas esportivas para ocultar valores ilícitos. No total, 200 policiais federais foram mobilizados para cumprir 39 mandados de prisão temporária e 45 ordens de busca e apreensão em nove unidades federativas.

A ação ocorreu simultaneamente em oito estados brasileiros - São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás - além do Distrito Federal. A 5ª Vara Federal de Santos, responsável pelo caso, determinou o sequestro preventivo de bens e o bloqueio de ativos financeiros dos investigados para evitar a dissipação do patrimônio acumulado ilegalmente.

Mecanismos complexos de lavagem de dinheiro

Segundo as investigações da Polícia Federal, a organização criminosa utilizava o setor artístico e o entretenimento digital como fachada principal para "limpar" recursos provenientes de atividades ilícitas. O dinheiro tinha origem no tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína enviadas ao exterior, além de apostas em sites ilegais e rifas digitais clandestinas.

Para ocultar os valores astronômicos, o grupo aplicava técnicas sofisticadas de lavagem de capitais:

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  1. Smurfing: Realização de centenas de transferências bancárias fracionadas em pequenos valores para evitar a detecção pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)
  2. Empresas de fachada e laranjas: Utilização de produtoras musicais, como a Bololô Records, e estabelecimentos comerciais como o Bololô Restaurant & Bar, para misturar receitas legítimas com dinheiro do crime organizado
  3. Criptoativos: Conversão de valores em moedas digitais para dificultar o rastreio pelas autoridades financeiras
  4. Influenciadores de massa: Uso estratégico de figuras públicas com milhões de seguidores para movimentar quantias vultosas sem despertar suspeitas imediatas nos sistemas de conformidade bancária

Impacto nas redes sociais e reações das defesas

Após as prisões, as contas oficiais de MC Ryan SP e do influenciador Chrys Dias no Instagram foram retiradas do ar pela plataforma. O funkeiro, apontado como o artista mais ouvido do Brasil no Spotify, reunia mais de 15 milhões de seguidores na rede social, enquanto Chrys Dias somava mais de 14 milhões de adeptos. Atualmente, usuários que tentam acessar as páginas se deparam com a mensagem padrão de conteúdo indisponível.

A Meta, empresa controladora do Instagram, foi questionada sobre a suspensão dos perfis, mas informou que não irá comentar o caso específico. Nas esferas jurídicas, as defesas dos investigados começaram a se manifestar:

  • A defesa de MC Ryan SP afirma que o artista é íntegro, que todas as suas transações são lícitas e que os valores em suas contas possuem origem comprovada
  • O advogado de MC Poze do Rodo informou que ainda não teve acesso completo aos autos do processo, mas que se manifestará na Justiça para restabelecer a liberdade do cantor
  • A defesa de Raphael Sousa sustenta que seu vínculo com os investigados é estritamente publicitário, referente à comercialização de espaço de divulgação digital
  • A defesa de Chrys Dias não foi localizada até a última atualização desta reportagem

A Operação Narco Fluxo representa um dos maiores golpes contra o crime organizado no Brasil recentemente, expondo as intrincadas conexões entre o tráfico internacional de drogas, a lavagem de dinheiro em larga escala e o uso de celebridades digitais para legitimar recursos ilícitos.