Operação Abadom desarticula rede de tráfico interestadual com prisões no Pará e Amapá
Nesta terça-feira (31), uma ação policial de grande porte, denominada Operação Abadom, resultou na prisão de 42 suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas em âmbito interestadual. A operação foi conduzida pelas polícias civis do Pará e do Amapá, com o apoio fundamental da Polícia Federal, destacando uma integração estratégica entre as forças de segurança.
Policiais militares entre os presos e chefe foragido
No estado do Pará, especificamente, 17 indivíduos foram detidos. Entre eles, dois policiais militares foram alvo das prisões: Fernando Henrique da Silva Albernás, de 35 anos, e José das Graças Peres Monteiro, de 40 anos. As investigações, no entanto, apontam para uma figura central que conseguiu escapar durante a ação.
O suposto líder da facção criminosa Família Terror do Amapá é identificado como Pedro de Morais Santos Garcia, de 43 anos, que atuava como guarda municipal na cidade de Marituba, no Pará. Ele é acusado de coordenar um esquema de tráfico que movimentou aproximadamente R$ 40 milhões em apenas três anos, segundo apurações policiais.
Pedro Garcia fugiu acompanhado de seu cunhado, considerado seu principal comparsa, e da namorada. As autoridades estão investigando a possibilidade de um vazamento de informações que possa ter facilitado a fuga do suspeito.
Esquema criminoso com uso de cargo público e lavagem de dinheiro
De acordo com as investigações conduzidas pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) do Amapá, o guarda municipal utilizava sua posição pública para disfarçar atividades ilícitas. Ele supostamente realizava prisões enquanto, simultaneamente, coordenava a distribuição de drogas nos estados do Amapá e Pará.
O esquema criminoso envolvia uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro, com a utilização de empresas de fachada, oficinas mecânicas e lava-jatos que operavam também no território paraense. A organização empregava "laranjas" e depósitos fracionados para movimentar recursos sem despertar suspeitas das autoridades.
As drogas, principalmente cocaína e crack, eram transportadas via fluvial entre Macapá e Santana, no Amapá, sendo fracionadas e escondidas em objetos comuns para evitar detecção. A polícia aponta que o grupo mantinha conexões com outros estados e possíveis ligações internacionais, usando o dinheiro do tráfico para aquisição de armas e financiamento de outras atividades criminosas.
Histórico criminal e resposta das autoridades
Pedro Garcia não é um novato no mundo do crime. Em 2021, ele já havia sido alvo de outra operação policial, quando foi identificado por participar do roubo de uma aeronave utilizada no transporte de entorpecentes. Esse histórico reforça o perfil de envolvimento profundo com o crime organizado.
A Prefeitura de Marituba se manifestou por meio de nota oficial, afirmando que não compactua com condutas ilegais e que, caso o envolvimento do servidor seja comprovado, todas as medidas administrativas cabíveis serão tomadas imediatamente. A administração municipal colocou-se à disposição para colaborar integralmente com as investigações.
Integração policial e declarações oficiais
A Operação Abadom destacou a importância da integração entre polícias estaduais e federais. As investigações tiveram início com a Polícia Federal, que identificou a influência de facções nacionais no Amapá.
O delegado Everton Manso, coordenador de operações da PF, enfatizou a natureza transnacional do crime: "Essas facções não atuam só no tráfico local. Elas enviam drogas para o exterior e se aliam a grupos internacionais. Por isso, só uma polícia integrada consegue dar resposta eficaz."
Esta foi a segunda operação de grande porte contra o crime organizado em menos de uma semana. O secretário de Justiça e Segurança Pública, Cezar Vieira, reafirmou o compromisso do estado no combate à criminalidade: "Estamos em linha dura contra a criminalidade. Os resultados mostram que é possível conter o avanço das facções."
As autoridades continuam em busca de Pedro Garcia e seus acompanhantes, enquanto os 42 presos aguardam as devidas medidas legais. A operação representa um golpe significativo nas estruturas do tráfico interestadual, mas evidencia os desafios contínuos no enfrentamento ao crime organizado na região Norte do Brasil.



