Guarda municipal é identificado como maior traficante do Amapá e escapa de operação integrada
Pedro de Morais Santos Garcia, de 43 anos, guarda municipal de Marituba, no Pará, é apontado pelas autoridades policiais como o maior traficante de drogas do estado do Amapá. Segundo as investigações, ele atua como liderança da facção criminosa Família Terror do Amapá (FTA) e é responsável pela logística de distribuição de entorpecentes na região.
Operação Abadom deflagrada em oito estados brasileiros
O suspeito foi o principal alvo da Operação Abadom, deflagrada nesta terça-feira (31) em oito estados brasileiros, incluindo Amapá e Pará. No entanto, Pedro conseguiu fugir antes da chegada dos policiais à sua base, localizada estrategicamente entre os dois estados, aproveitando os rios da Amazônia para facilitar o esquema criminoso.
As investigações revelam que o tráfico envolvia principalmente cocaína e crack, transportados em navios entre as cidades de Macapá e Santana. As drogas eram fracionadas e escondidas em objetos comuns para evitar a fiscalização das autoridades.
Uso do cargo público como escudo para atividades criminosas
De acordo com o delegado Stefano Santos, Pedro utilizava seu cargo na segurança pública como um escudo para o tráfico. "Ele conseguiu o cargo em Marituba e dizia ter driblado o sistema. Fazia prisões e, ao mesmo tempo, coordenava o tráfico no Amapá, sendo o maior fornecedor interno", afirmou o delegado.
A trajetória criminosa de Pedro começou no Amapá, onde assumiu posição de liderança na facção antes de ingressar na Guarda Municipal do Pará. A Prefeitura de Marituba emitiu nota informando que, se o envolvimento for comprovado, medidas administrativas serão tomadas imediatamente contra o servidor.
Esquema milionário com empresas de fachada e laranjas
A Operação Abadom investiga um sofisticado esquema de tráfico de drogas que envolvia lavagem de dinheiro através de empresas de fachada e pessoas interpostas (laranjas). Segundo as autoridades, pelo menos R$ 40 milhões foram movimentados ilegalmente.
A Justiça expediu 54 mandados de prisão preventiva e 64 de busca e apreensão, além da suspensão de dez empresas de fachada. As diligências foram cumpridas em diversos estados:
- 18 mandados no Amapá
- 17 mandados no Pará
- Dois mandados em São Paulo
- Dois mandados no Ceará
- Um mandado no Rio Grande do Norte
- Um mandado no Rio Grande do Sul
- Um mandado em Roraima
Durante as ações, foram apreendidos veículos blindados, imóveis de luxo e bloqueados ativos financeiros. A polícia também recolheu R$ 40 mil em espécie. Todo o material era fruto do tráfico e servia para mascarar o esquema criminoso.
Mulheres atuando como laranjas para a quadrilha
O delegado-geral da Polícia Civil, Daniel Marsili, revelou que pelo menos nove mulheres atuavam como laranjas, cedendo contas bancárias para movimentar o dinheiro da organização criminosa. "Dos 18 presos no Amapá, nove eram mulheres. Elas viviam uma vida de luxo sustentada pelo crime", afirmou Marsili.
Integração das forças de segurança para combater o crime organizado
A operação contou com a integração das polícias estaduais e federais, demonstrando a importância do trabalho conjunto no combate ao crime organizado. As investigações começaram com a Polícia Federal (PF), que identificou a influência de facções nacionais no Amapá.
Segundo o delegado Everton Manso, coordenador de operações da PF, "Essas facções não atuam só no tráfico local. Elas enviam drogas para o exterior e se aliam a grupos internacionais. Por isso, só uma polícia integrada consegue dar resposta eficaz".
Esta foi a segunda operação contra o crime organizado em menos de uma semana no estado. O secretário de Justiça e Segurança Pública, Cezar Vieira, afirmou que as equipes estão empenhadas em conter a expansão das facções no Amapá. "Estamos em linha dura contra a criminalidade. Os resultados mostram que é possível conter o avanço das facções", declarou Vieira.
A operação integra o programa Amapá Mais Seguro, criado em 2023, que visa fortalecer as ações de segurança pública no estado. As investigações continuam em andamento para localizar e prender Pedro de Morais Santos Garcia, que segue foragido da justiça.



