Polícia Civil do Rio desmantela esquema de furto de petróleo em oleoduto da Transpetro
A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou, nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, uma operação de grande porte contra uma quadrilha especializada em furtar petróleo de oleodutos da Transpetro. A ação, batizada de "Haras do Crime", resultou na prisão de sete indivíduos e na apreensão de material utilizado no crime, incluindo equipamentos de perfuração e caminhões-tanque.
Local do crime chama atenção: fazenda da família Garcia
O ponto central da investigação é uma fazenda localizada em Guapimirim, na Baixada Fluminense, que pertence à família Garcia, conhecida historicamente por sua atuação na contravenção do Rio de Janeiro. O oleoduto da Transpetro passa exatamente por essa propriedade, o que, segundo as autoridades, dificultava significativamente a fiscalização e permitia que os criminosos atuassem com relativa impunidade.
No entanto, a polícia esclareceu que, até o momento, não foram encontradas evidências do envolvimento de Shanna Garcia e Tamara Garcia, filhas de Waldomiro Paes Garcia, o famoso Maninho, com as atividades ilegais da quadrilha. As investigações continuam para apurar possíveis conexões mais amplas.
Modus operandi sofisticado e hierarquia organizada
Os criminosos atuavam com uma estrutura bem definida e hierarquia operacional, demonstrando alto nível de organização. O esquema incluía:
- Perfuração clandestina do duto em pontos estratégicos dentro da fazenda.
- Transporte do petróleo em caminhões-tanque por rotas interestaduais, abrangendo estados como São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina.
- Comercialização do produto utilizando notas fiscais falsas, emitidas por empresas de fachada criadas para dar aparência de legalidade às transações.
- Proteção armada durante as operações, com homens equipados garantindo a segurança dos locais de extração e transporte.
A Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), responsável pelo caso, relatou que a quadrilha também empregava táticas de intimidação, como a destruição de provas eletrônicas e a ocultação de equipamentos, além de tentativas de coagir testemunhas, o que complicou as investigações iniciais.
Operação de alcance nacional com apoio do Ministério Público
A operação "Haras do Crime" não se limitou ao Rio de Janeiro. Com o apoio do Ministério Público do Rio, as ações policiais se estenderam a múltiplos estados, refletindo a amplitude das atividades da quadrilha. Essa coordenação interestadual foi crucial para desarticular a rede criminosa e apreender os envolvidos em diferentes regiões do país.
As autoridades destacam que a investigação ainda está em andamento, com possibilidade de novas prisões e descobertas à medida que mais detalhes do esquema forem revelados. O caso evidencia os desafios enfrentados no combate a crimes organizados que exploram infraestruturas críticas, como oleodutos, para obter lucros ilegais em larga escala.