Operação Átomo 82 desvenda esquema criminoso de roubo de cargas de chumbo
Um dia após a deflagração da operação "Átomo 82", a Polícia Civil de Pernambuco apresentou, nesta quarta-feira (1º), os detalhes completos sobre o funcionamento de uma sofisticada organização criminosa investigada por roubo de cargas de chumbo e adulteração de veículos. A ação policial resultou no cumprimento de três mandados de prisão e dezessete mandados de busca e apreensão, abrangendo municípios do Grande Recife e da região do Agreste pernambucano.
Investigação iniciada em 2025 após denúncia empresarial
Conforme explicou o delegado Mamedes Xavier, titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas, as investigações tiveram início no ano de 2025, quando uma empresa do setor procurou as autoridades policiais após ser vítima de três crimes semelhantes em sequência. A partir dessa denúncia, os agentes conseguiram identificar os suspeitos e descobriram a existência de um grupo estruturado, altamente organizado e com acesso a armamentos de fogo.
"Em julho e agosto do ano passado, fomos procurados por uma empresa vítima de três eventos criminosos e, quando nós começamos a investigar, chegamos inicialmente à autoria dos roubos praticados e vimos que se tratava de uma organização criminosa extremamente armada", declarou o delegado durante a coletiva de imprensa.
Mandados cumpridos em múltiplas cidades com grande efetivo
Os mandados judiciais foram executados nas cidades do Cabo de Santo Agostinho e Jaboatão dos Guararapes, localizadas na região metropolitana do Recife; além de Escada, na Zona da Mata; e Belo Jardim, no Agreste pernambucano. Para garantir o sucesso da operação, aproximadamente noventa policiais civis foram mobilizados, demonstrando a complexidade e a dimensão da investigação.
Modus operandi envolvia abordagem violenta e sequestro
Segundo as informações apuradas pela polícia, o grupo criminoso atuava principalmente no roubo de cargas de chumbo que saíam do Porto de Suape com destino a uma fábrica específica. Os criminosos abordavam os caminhões durante o trajeto, rendiam os motoristas à força e transferiam a carga valiosa para outros veículos, mantendo as vítimas sequestradas até o final da ação ilegal.
Empresários são suspeitos de financiar e estruturar o esquema
As investigações também apontam para a participação direta de empresários no esquema criminoso. A polícia informou que pelo menos dois indivíduos são suspeitos de envolvimento, sendo um deles responsável por financiar as ações ilícitas e fornecer toda a estrutura logística necessária, incluindo veículos de grande porte adequados para o transporte das cargas roubadas. Os nomes desses suspeitos não foram divulgados pelas autoridades.
"Um deles financiava a organização criminosa, tanto que ele tem materiais para isso. Ele tem veículos de grande porte para esse tipo de coisa e é um dos mandantes desse roubo, integrante da organização criminosa", afirmou o delegado Mamedes Xavier, destacando o papel central desses indivíduos.
Apreensões incluem armas e equipamentos de bloqueio
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam diversos itens cruciais para as investigações, como armamentos, equipamentos especializados para bloquear sinais de rastreadores veiculares e outros materiais relacionados aos crimes. De acordo com a Polícia Civil, todo o conteúdo recolhido será minuciosamente analisado em laboratório para identificar outros integrantes do grupo e aprofundar as apurações.
"O material apreendido é vasto, as provas são robustas", garantiu o delegado, expressando confiança nas evidências coletadas.
Possível envolvimento de funcionários da empresa vítima
A Polícia Civil informou ainda que a possível participação de funcionários da empresa vítima nos roubos não está completamente descartada. Até o presente momento, contudo, não foram encontrados elementos concretos que comprovem esse tipo de envolvimento interno, mas essa linha de investigação segue sendo apurada com rigor pelos agentes.



