Criminosos forçam empresas de internet a encerrar operações na Região Metropolitana do RJ
Criminosos forçam empresas de internet a fechar no RJ

Criminosos forçam empresas de internet a encerrar operações na Região Metropolitana do RJ

Empresas que prestam serviços de internet na Região Metropolitana do Rio de Janeiro estão sendo obrigadas a desistir de operar devido à ação violenta de criminosos. Os grupos exigem o pagamento de taxas ilegais, fazem ameaças diretas e chegam a incendiar veículos das companhias como forma de intimidação.

"Hoje é impossível operar", afirma empresário anônimo

Um empresário do setor, que preferiu não se identificar por questões de segurança, revelou a situação crítica: "Os provedores ligados ao crime organizado no Rio de Janeiro estão tomando todas as operações, não apenas das operadoras, mas também impedindo que novos empresários iniciem atividades na Região Metropolitana. Hoje é impossível". Segundo seu relato, funcionários são abordados frequentemente por criminosos que chegam em motos anunciando que a área já tem dono.

"Primeiro vinha a ameaça e, muitas vezes, depois apareciam pessoas armadas para consolidá-la. Já houve casos de chegarem atirando, mandando a equipe embora com o caminhão perfurado por balas", descreveu o empresário, destacando o clima de terror que impera.

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Mapa da suspensão de serviços revela extensão do problema

A empresa mantém um mapa detalhado com os locais onde os atendimentos foram suspensos devido à violência:

  • Em Magé, quatro bairros deixaram de receber o serviço.
  • Em Rio Bonito, outros dois bairros foram afetados.
  • Em Tanguá, um bairro perdeu o fornecimento.
  • Em São Gonçalo, impressionantes 27 bairros não contam mais com a presença da empresa.
  • Em Niterói, mais de 30 pontos deixaram de ser atendidos.

Moradores da região, que também pediram anonimato por segurança, afirmam que os bandidos querem obrigar os clientes a utilizar apenas a internet fornecida por eles, criando um monopólio criminoso.

Ataques violentos e mensagens de ameaça

Os casos de violência se multiplicam pela região. No bairro de Lages, em Paracambi, na Baixada Fluminense, um homem ateou fogo em um carro de uma empresa de internet. As imagens de câmeras de segurança mostram o veículo sendo destruído em poucos minutos. O dono da empresa apontou como responsável um traficante da região que integra um grupo criminoso que exige pagamento de taxa para permitir a operação.

No dia seguinte, também em Paracambi, no bairro Sabugo, outra empresa de manutenção de internet foi alvo de criminosos. Novamente, por não pagar a taxa exigida pelo tráfico, o veículo da companhia acabou queimado.

De acordo com os responsáveis pelas empresas, as ordens para os ataques partiriam do traficante Bruno Augusto Ferreira Garcia, conhecido como Russo. As ameaças chegam por mensagens: "Vai ser pior para tu. Grava isso. Russão aqui. Não adianta esconder", diz uma delas. Em outra mensagem, o criminoso avisa: "O prejuízo vai ser grande. Grava aí", acompanhando o texto com símbolos de um carro, uma sirene e fogo.

Retaliações se espalham e empresários se unem

A retaliação do tráfico contra quem se recusa a pagar para operar em áreas dominadas por criminosos também ocorre em Japeri, na Baixada Fluminense. Testemunhas afirmam que bandidos da comunidade Lagoa do Sapo incendiaram não apenas o carro de uma empresa, mas também o escritório, deixando vários cômodos danificados.

Para chamar a atenção das autoridades, empresários de Japeri se uniram e enviaram um comunicado aos clientes, com uma nota de repúdio às condições impostas pelos criminosos e um pedido por mais segurança. Diante da situação extrema, as empresas decidiram suspender o serviço de internet na região como medida de proteção.

Consequências humanas e emocionais

Além dos prejuízos materiais, os empresários relatam que funcionários passaram a apresentar sequelas emocionais graves, como síndrome do pânico e crises de ansiedade, devido às condições de trabalho aterrorizantes.

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Um funcionário que coordena equipes de campo contou: "Os criminosos costumam cortar cabos, sabotar caixas e furtar equipamentos. Quando a equipe chega para fazer o reparo, aparecem dois homens em uma moto, geralmente com o garupa armado. Eles mandam parar o serviço, ameaçam incendiar o veículo e atirar na equipe".

Segundo ele, muitos trabalhadores ficam com medo, se afastam por alguns dias e, em alguns casos, acabam pedindo demissão, criando uma crise de mão de obra qualificada no setor.

Posicionamento das autoridades policiais

A Polícia Civil informou que investiga de forma permanente a atuação das facções criminosas, realizando diligências para localizar suspeitos e desarticular quadrilhas. A corporação destacou ainda que atua em conjunto com a Polícia Militar, responsável pelo policiamento ostensivo, e reforçou a importância do registro das ocorrências nas delegacias.

Já a Polícia Militar afirmou que realizou operações nas comunidades de Paracambi e reforçou o patrulhamento em toda a cidade, além de manter policiamento permanente ao longo da RJ-127. No entanto, empresários e moradores clamam por medidas mais efetivas para garantir a segurança e permitir o retorno das operações de internet na região.