O nome de um conselheiro do Palmeiras emergiu como figura central em um complexo escândalo financeiro que envolve o Banco Master e suspeitas de lavagem de dinheiro. João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos e membro dos conselhos do clube paulista, é um dos principais alvos das investigações da Polícia Federal.
O elo entre o mercado financeiro e o futebol
A conexão ganhou destaque após a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, em 16 de janeiro de 2026, e a determinação do Banco Central pela liquidação extrajudicial da Reag Investimentos, gestora fundada por Mansur. Formado em ciências contábeis e com MBA pela FGV, Mansur sempre se apresentou como um operador técnico e discreto, especializado em fundos de investimento complexos, como FIDCs, FIIs e FIPs.
No entanto, sua atuação no Palmeiras é de longa data. Ele é conselheiro do time, integrando tanto o Conselho de Fiscalização (COF) – para o qual foi o mais votado da história – quanto o Conselho Deliberativo. Internamente, o clube acompanha a situação com preocupação, mas aguarda o desenrolar das apurações conduzidas pela PF e pelo Ministério Público. Até o momento, não há indícios de que as investigações atinjam outras figuras da diretoria alviverde.
As suspeitas e as operações da Polícia Federal
As investigações apontam que a Reag Investimentos não era um agente periférico, mas um elo relevante em uma engrenagem financeira sob suspeita. Os investigadores focam em operações estruturadas de baixa transparência, com fragilidades de governança e rentabilidades consideradas incompatíveis com o mercado.
Um caso citado nos autos chama a atenção: um dos fundos administrados pela Reag teria declarado um retorno que ultrapassou a casa dos milhões por cento em um único ano. Números como esse acenderam alertas máximos nos órgãos de controle.
Além da Operação Compliance Zero, Mansur e sua gestora também são alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada no ano anterior. Essa operação investiga um amplo esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado, com ramificações no setor de combustíveis e no mercado financeiro. A Reag é suspeita de administrar fundos usados para ocultar e movimentar recursos de origem ilícita.
Reações e desdobramentos
Em setembro, após ser alvo de buscas e apreensões no âmbito da Operação Carbono Oculto, João Carlos Mansur anunciou a venda do controle da Reag Investimentos e deixou a presidência do conselho da gestora. A medida, no entanto, não interrompeu as investigações sobre sua conduta anterior.
Para as autoridades, as apurações seguem para desvendar completamente a extensão das fraudes financeiras e os possíveis elos com o crime organizado. O caso expõe a intersecção entre um dos maiores clubes de futebol do país e um dos mais reverberantes escândalos financeiros da atualidade, colocando sob holofotes a atuação de um de seus conselheiros mais influentes.